Nova Fábrica de Máquinas Agrícolas para a Agricultura Familiar no Brasil
A construção da primeira fábrica de máquinas agrícolas voltada exclusivamente para a agricultura familiar no Brasil foi oficialmente confirmada nesta sexta-feira (6). A assinatura de três contratos em Pequim, China, marca um passo importante para o setor, fruto de uma parceria entre a Sinomach, principal indústria do setor de maquinário da China, e a empresa brasileira de ciência e tecnologia OZ Earth.
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A Prefeitura de Maricá, no Rio de Janeiro, também se junta a essa iniciativa estratégica.
Parceria Inovadora
O projeto, que já havia sido celebrado em novembro de 2025 na Comuna Pública Joaquín Piñero, em Maricá, reúne poder público, empresas privadas e o movimento popular organizado. João Pedro Stédile, um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), descreveu o acordo como “um dia histórico para o Brasil”, destacando o arranjo societário inédito e seu potencial para impulsionar o desenvolvimento do país.
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Investimento e Empregos
A fábrica, localizada no distrito de Ponta Negra, em Maricá, próxima à rodovia RJ-106, terá um investimento estimado em R$ 200 milhões e poderá gerar até 500 empregos indiretos. A capacidade de produção é de até 5 mil unidades por ano, com modelos de 25 e 50 cavalos, adaptados às necessidades da agricultura familiar.
As máquinas serão distribuídas para associações e cooperativas de reforma agrária e da agricultura familiar tradicional, por meio de programas como o Pronaf e compras estatais.
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Modelo SKD e Nacionalização
Um dos aspectos chave do projeto é o uso do modelo “Semi Complete Knockdown” (SKD), que consiste na exportação de componentes parcialmente desmontados para montagem no Brasil. O objetivo é, gradualmente, atingir pelo menos 60% de conteúdo nacional, exigência da legislação brasileira.
O advogado Samuel Asafe detalhou que a meta é alcançar a nacionalização de peças e partes desse processo de industrialização, impulsionando a autonomia tecnológica.
Cooperação Sul-Sul
A Baobab, Associação Popular para a Cooperação Internacional, desempenhou um papel fundamental na articulação do projeto. Luiz Zarref, coordenador da entidade para a América Latina, avaliou que o acordo representa um modelo replicável para outros países do Sul Global, promovendo relações de paz e ajuda mútua.
A cooperação tecnológica também inclui a integração com plataformas inteligentes, buscando aprimorar a produção e a eficiência.
Conclusão
A mecanização da agricultura familiar no Brasil não se limita ao aumento da produtividade. O projeto busca reverter a baixa mecanização do setor, garantindo a produção agroecológica, a sustentabilidade e a qualidade dos alimentos. Além disso, visa a redução da penosidade do trabalho no campo, a maior participação das mulheres na produção agrícola, a criação de condições para que a juventude rural permaneça no campo e a geração de empregos diretos e indiretos na fábrica.
