Fabio Monteiro Lima: Baterias Mitigam Curtailment em Usinas Eólicas

Baterias reduzem o desperdício de energia em usinas eólicas, evitando desligamentos forçados e impulsionando a estabilidade do sistema elétrico brasileiro

Em entrevista ao Poder360, Fabio Lima defendeu que as baterias podem solucionar impasses no setor elétrico | Maurício Ronan/Poder360 – 12.jun.2026

O diretor-executivo da Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), Fabio Monteiro Lima, apontou que a integração de sistemas de baterias em usinas solares e eólicas pode ser crucial para mitigar os problemas de curtailment e o excesso de geração proveniente da mini e microgeração distribuída no setor elétrico brasileiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo Lima, o armazenamento de energia não apenas resolve o problema do descarte de excedentes de geração, mas também permite que as fontes renováveis aproveitem o mercado de capacidade, que remunera as usinas pela disponibilidade de energia quando o sistema precisa.

O modelo proposto permite que a eletricidade acumulada em períodos de alta oferta seja liberada na rede em momentos de pico de consumo, geralmente no final da tarde e à noite, quando o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) é mais elevado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa capacidade de gerar múltiplas fontes de receita para os parques eólicos e solares é vista como um mecanismo essencial para evitar o desperdício de energia limpa e aumentar a estabilidade do sistema nacional.

Leia também

O Papel das Baterias no Combate ao Curtailment

O curtailment, termo que significa o desligamento forçado de usinas renováveis pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), representa um desafio significativo para o setor elétrico brasileiro. Esse fenômeno ocorre quando a rede não consegue absorver toda a energia gerada, obrigando os empreendimentos, concentrados principalmente na região Nordeste, a reduzirem drasticamente sua produção.

Os cortes forçados resultam em prejuízos milionários, pois parte considerável da energia gerada é, na prática, jogada fora. Para reverter esse cenário, o armazenamento de energia se apresenta como uma solução técnica e econômica.

No entanto, a adoção em larga escala de baterias ainda enfrenta barreiras financeiras consideráveis. Lima destacou que os investimentos em equipamentos de armazenamento são dificultados por impostos de importação que podem atingir 70%. Por isso, o diretor defende a criação de mecanismos regulatórios e de mercado que tornem o armazenamento de energia financeiramente viável para os geradores.

“É necessário dar o sinal econômico correto. Se não houver incentivos, os geradores eólicos e solares não investirão em baterias, e o problema do curtailment persistirá,” afirmou Lima, ressaltando que a falta de acesso a um mercado de capacidade e a alta tributação desestimulam o investimento.”

Revisões de Mercado e a Mini e Microgeração

Além do armazenamento, o especialista propõe uma reforma estrutural no consumo de energia através da implementação de uma tarifa horária para os consumidores residenciais e comerciais. Atualmente, a maioria dos usuários paga um valor único pela energia, sem considerar o momento do consumo.

Com a tarifa horária, o consumidor recebe um sinal de preço mais preciso: a eletricidade seria mais barata nos momentos de sobra de geração e mais cara nos períodos de baixa disponibilidade, conhecidos como a “ponta noturna”.

Segundo o diretor, a falta de um sinal econômico adequado afeta tanto o consumidor quanto o gerador. O consumidor não tem incentivo para reduzir o consumo em horários de pico, e o gerador não tem estímulo para investir em tecnologias que minimizem a exposição ao curtailment.

A questão da mini e microgeração distribuída (MMGD) também é um ponto de atenção. Este segmento, composto por sistemas de pequena escala instalados em residências e comércios, já ultrapassa a capacidade instalada de 44 GW, representando quase 20% da capacidade total de geração do país.

O aumento dessa oferta, especialmente em momentos de baixa demanda, pode sobrecarregar o sistema e contribuir para o excesso de geração. Lima e representantes do setor defendem, portanto, incentivos para que os proprietários de painéis solares e eólicos instalem baterias, direcionando o excedente de energia e estabilizando a rede elétrica nacional.