Exxon Mobil supera lucro esperado, mas guerra no Irã traz desafios à produção de petróleo

Exxon Mobil Supera Expectativas de Lucro, Mas Enfrenta Desafios
A Exxon Mobil superou as previsões de lucro ajustado para o trimestre, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (1º). O crescimento da produção na Guiana e na Bacia Permiana foi um fator positivo, embora o lucro não ajustado tenha caído para o menor nível em cinco anos, impactado por interrupções decorrentes da guerra com o Irã, que podem afetar ainda mais a produção no trimestre atual.
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No primeiro trimestre de 2026, o lucro ajustado foi de US$ 1,16 por ação, superando a estimativa consensual de US$ 1,00, segundo a LSEG. O lucro líquido, por sua vez, totalizou US$ 4,2 bilhões, o menor desde o início de 2021, e inferior aos US$ 7,7 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Impactos do Conflito no Oriente Médio
O conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo nos Estados Unidos e globalmente para mais de US$ 100 por barril, mas o impacto nos lucros das grandes petroleiras tem sido desigual. A Exxon, que possui cerca de 20% de sua produção de petróleo e gás na região, viu sua produção cair, enquanto concorrentes europeias como BP e Total reportaram lucros maiores com operações de comercialização.
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A produção global da Exxon foi de 4,59 milhões de barris de óleo equivalente por dia no trimestre, um leve aumento em relação ao ano anterior, mas uma queda de quase 8% em comparação aos 5 milhões de barris por dia do quarto trimestre. Essa diminuição se deve, em grande parte, às interrupções no Estreito de Ormuz, que permanece fechado e é crucial para o trânsito de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás.
Perspectivas de Produção e Estratégia
Se o estreito continuar fechado durante o restante do segundo trimestre, a Exxon projeta que a produção cairá entre 4,1 milhões e 4,3 milhões de barris de óleo equivalente por dia, incluindo uma redução de 750 mil barris por dia na produção do Oriente Médio em relação a 2025.
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Caso a hidrovia seja reaberta imediatamente, a produção do segundo trimestre poderá alcançar 4,7 milhões de barris por dia.
O valor ajustado da Exxon exclui uma perda de US$ 700 milhões relacionada a cargas não entregues devido à interrupção no fornecimento causada pelo conflito, que começou no final de fevereiro. O CEO da Exxon, Darren Woods, destacou que a empresa manterá sua estratégia focada em produção de alta qualidade, apesar do ambiente operacional volátil.
Resultados Financeiros e Desempenho
Os ativos mais significativos da Exxon incluem a Bacia Permiana e a produção offshore na Guiana. O diretor financeiro, Neil Hansen, informou que a produção na Guiana atingiu um novo recorde, ajudando a compensar as interrupções no Oriente Médio.
A Exxon já havia previsto um impacto bilionário devido a esses efeitos, que espera reverter nos próximos trimestres.
O lucro foi de US$ 2,09 por ação, excluindo as perdas com derivativos financeiros. A empresa utiliza esses instrumentos para mitigar riscos de oscilações de preços durante o transporte das cargas. O lucro da divisão de exploração e produção foi de US$ 5,7 bilhões, um aumento de 63% em relação ao trimestre anterior, mas uma queda de 15% em relação ao ano passado.
Desempenho da Divisão de Refino e Distribuição
A unidade de refino e distribuição registrou um prejuízo de US$ 1,3 bilhão, em comparação a um lucro de US$ 827 milhões no ano anterior. Excluindo todos os efeitos de cronograma, a Exxon informou que os lucros dessa divisão foram de US$ 2,8 bilhões.
Hansen ressaltou que o negócio subjacente se mostrou resiliente, com crescimento no lucro líquido em comparação ao ano anterior.
No primeiro trimestre, o fluxo de caixa livre da Exxon foi de US$ 2,7 bilhões, uma queda em relação aos US$ 8,8 bilhões do mesmo período do ano anterior. A empresa pagou US$ 4,3 bilhões em dividendos e recomprou US$ 4,9 bilhões em ações, com investimentos em bens de capital totalizando US$ 6,2 bilhões, alinhados com as projeções para o ano.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



