Expressão Popular: editor Miguel Yoshida traça raízes históricas do MST em defesa do Sul Global

Miguel Yoshida fortalece Expressão Popular na defesa das raízes históricas do MST em prol do Sul Global.

26/08/2026 08:35

4 min

Miguel Yoshida, coordenador editorial da editora Expressão Popular
Miguel Yoshida, coordenador editorial da editora Expressão Popul...

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) é reconhecido mundialmente como um grande movimento social que pressiona por uma reforma agrária radical no Brasil e em outros países. A organização atua pela ocupação de terras consideradas improdutivas para forçar a redistribuição fundiária do país.

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Embora o MST tenha se tornado mais conhecido durante os tempos governistas de Jair Bolsonaro — época na qual mobilizou militantes contra as políticas presidenciais, inclusive fornecendo recursos materiais alimentares —, seu trabalho intelectual também possui raízes profundas nos anos 90.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST)

Como nasceu essa tradição editorial

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O foco teórico desse ecossistema é mantido por uma editora ligada ao movimento: Expressão Popular (ExP). Desde que Miguel Yoshida assumiu como coordenador em 2012, ela tem publicado obras com forte viés anti imperialista e voltadas para o futuro do Sul Global.

Segundo Vincent Bevins, embora a atuação política seja mundialmente reconhecida pelo MST, poucas pessoas conhecem esse braço de produção literária associado à organização.

A ideia da fundação veio após um período marcante na história brasileira; segundo Yoshida, surgiu oficialmente nos anos seguintes aos eventos políticos turbulentos dos anos 96 e 97. Ele recordou especificamente o Massacre de El Dorado no Carajás, ocorrido lá atrás, quando vinte e um trabalhadores sem terra foram assassinados pela Polícia Militar em 1996.

Em resposta ao massacre, os militantes organizaram uma longa marcha até Brasília logo depois do evento trágico.

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Essa mobilização social foi crucial contra as políticas neoliberais vigentes sob Fernando Henrique Cardoso — sendo que a própria ExP nasceu desse contexto teórico complexo para dar suporte à luta política mais ampla da época.

Financiamento alternativo e foco antiimperialista

O objetivo inicial era fazer o “salto teórico”. Naquela década de transição global pós queda do Muro de Berlim, houve um sentimento geral no mundo sobre desilusão com ideologias esquerdas; muitos intelectuais sentiram falta dos clássicos marxistas em meio ao caos político.

A geração militante precisava recuperar essa teoria fundamental sem se prender apenas às táticas das ocupações ou marchas.

A ExP nasceu para avançar a luta política na sua amplitude máxima possível. Para manter os livros acessíveis — permitindo que até mesmo trabalhadores comuns pudessem lê los —, foram criadas estratégias financeiras alternativas e solidárias: o primeiro passo foi operar como uma empresa independente do MST (com receita de vendas), reinvestindo lucros nas publicações, além da ajuda com direitos autorais cedidos por autores parceiros.

Atualmente, há um grande foco em publicar obras sobre países periféricos. Os títulos mais vendidos vêm dos africanos – incluindo lançamentos vindos das Guiné Bissau e Cabo Verde –, assim como estudos para repensar contextos asiáticos ou a história revolucionária.

A linha política na atualidade

Miguel Yoshida explicou que as diretrizes editoriais são pautadas pela identificação clara do inimigo principal: no âmbito nacional é vista ainda a burguesia ligada ao agronegócio; globalmente falando, o alvo central permanece sendo o imperialismo liderado pelos Estados Unidos.

Essa leitura crítica se intensifica com ações recentes de figuras políticas americanas.

A Editora lançou um livro sobre Marco Rubio — filho imigrante —, analisando sua carreira como baseada em preconceitos xenofóbicos e intenções explícitas de restaurar poder império latino americano. A visão da casa editorial não espera por uma “revolução perfeita” para oferecer apoio ou divulgar experiências reais do mundo popular.

Segundo Yoshida, é fundamental aprender continuamente das lutas globais – seja olhando a situação atual de Cuba no contexto econômico bloqueador –, pois essas vivências são consideradas essenciais para toda esquerda mundial. O plano político imediato também se alinha à denúncia desses problemas: já está programado o lançamento de um estudo sobre os laços entre agronegócio e extrema direita em agosto deste ano.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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