Explosões na Bolívia deixam seis mortos e oito desaparecidos em base militar

Ministério Público abriu investigação, enquanto 81 feridos recebem atendimento e 25 famílias deixam suas casas após a onda de choque em Viacha.

Explosão mortal atinge base militar na Bolívia, em Viacha, na Bolívia, em 5 de setembro de 2026

Ao menos seis pessoas morreram, 81 ficaram feridas e oito continuam desaparecidas após duas explosões ocorridas na tarde de sexta – feira (4), no Centro Geral de Manutenção RAM-2 “Bolívar”, em Viacha, no oeste da Bolívia. O local fica nos arredores de La Paz, capital administrativa do país, e armazenava material pirotécnico.

As informações foram divulgadas pelo Ministério da Defesa do país. Em coletiva na noite de sexta – feira, o ministro da Defesa, Ernesto Justiniano Urenda, afirmou que a primeira explosão teria relação com a pólvora negra guardada na base. A causa da segunda, descrita como “muito maior”, ainda é investigada.

Explosões deixaram mortos e desaparecidos

Urenda descartou que as explosões tenham sido provocadas por armas. Um vídeo compartilhado pela Reuters registrou uma detonação repentina e de grandes proporções, com fumaça subindo sobre uma rua movimentada enquanto civis procuravam abrigo. Também era possível ouvir vidros quebrando.

Entre os mortos, três eram militares. Os outros três ainda não haviam sido identificados, informou o Ministério da Defesa. Na manhã de sábado (5), a pasta confirmou que militares estavam entre as pessoas desaparecidas.

As famílias dos soldados que não foram localizados mantêm contato com as autoridades em busca de informações sobre as operações. O Ministério Público da Bolívia abriu um inquérito para apurar os crimes de homicídio culposo, lesão corporal culposa e outros danos.

Famílias são retiradas de casas em Viacha

O Ministério da Defesa criou um comitê de crise com participação das Forças Armadas, da Polícia Boliviana, da Defesa Civil e do Ministério da Saúde. O grupo foi formado para atender os feridos e dar suporte às famílias e aos moradores atingidos.

“A prioridade é… localizar os militares desaparecidos, prestar assistência aos feridos, apoiar suas famílias e fornecer ajuda aos moradores afetados pela onda de choque”, afirmou a pasta.

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A força da explosão afetou 25 famílias, que precisaram deixar suas casas. Elas foram levadas para a Escola Militar de Música, onde receberam alimentos, cobertores e outros itens necessários.

Área segue com risco de novas explosões

As equipes de resgate ainda não puderam usar máquinas pesadas na área. Segundo Ernesto Justiniano Urenda, a entrada dos equipamentos depende da confirmação de que o local está livre de “materiais perigosos”. Só depois dessa avaliação será possível remover os escombros e ampliar as buscas.

Na tarde de sábado, o Ministério da Defesa informou que o “alto risco” permanecia. A retirada dos destroços foi suspensa porque um prédio atrás do ponto das explosões abriga equipamentos militares e “uma grande quantidade de granadas”.

A pasta também relatou a presença de pólvora negra e reforçadores. Um especialista explicou que o reforçador é um explosivo multiplicador, capaz de ampliar a carga quando entra em contato com um explosivo em detonação. A população foi orientada a não tocar nem manusear objetos encontrados na região, devido ao risco de “causar ferimentos muito graves”.

Viacha decreta calamidade pública

O Conselho Municipal de Viacha declarou “estado de calamidade pública” no sábado. A medida permite ao governo fazer alterações orçamentárias para enfrentar a situação e coordenar recursos com autoridades nacionais e departamentais.

A declaração, válida por seis meses, determina que o Poder Executivo de Viacha e suas unidades correspondentes iniciem ações legais, se cabíveis, contra indivíduos ou entidades públicas eou privadas que tenham afetado bens ou serviços públicos no contexto do incidente.

O presidente boliviano Rodrigo Paz afirmou pelo X que ordenou uma investigação “completa, técnica e transparente”. Ele também prestou condolências às famílias dos mortos e disse que o Estado deve proteger a vida, atender as vítimas e apoiar os parentes afetados pela tragédia.

“Devemos estabelecer com absoluta clareza as causas deste evento, verificar o cumprimento dos protocolos de segurança e determinar as responsabilidades correspondentes”, declarou Rodrigo Paz.