Ex-refém do Hamas, Emily Hand, 11, usa surfe para superar trauma do cativeiro

A ex-refém Emily Hand, 11 anos, encontra no surfe terapêutico uma forma de reconstruir a confiança e superar o trauma do cativeiro de 50 dias.

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A irlandesa – israelense Emily Hand, de 11 anos, encontrou no surfe uma forma de lidar com o trauma vivido após ser mantida refém pelo Hamas por 50 dias. Ela foi sequestrada do kibutz Beeri durante os ataques de 7 de outubro e, desde então, participa de sessões de surfe terapêutico na praia de Zikim, no sul de Israel.

A iniciativa é promovida pela ONG israelense HaGal Sheli, ou “Minha Onda”, que usa o esporte para ajudar jovens a superar experiências traumáticas.

“É como se o mar me curasse”, disse Emily, ao descrever a sensação de se desconectar da realidade quando está na água com sua prancha. Três anos após o sequestro, o trauma ainda não desapareceu. A menina conta que tem medo do escuro e de ficar sozinha à noite.

Em algumas ocasiões, ela acorda de sonhos sobre o 7 de outubro e vai dormir ao lado do pai. Mas, dentro do mar, a história é outra. “Hoje, sinto que não consigo superar tudo, mas consigo superar muitas coisas”, afirmou. “Depois de 7 de outubro, sinto que me tornei muito mais forte.”

A força dentro da água

O surfe se tornou uma ferramenta central na recuperação de Emily. As sessões na praia de Zikim são parte de um trabalho contínuo da HaGal Sheli, que já atendeu dezenas de jovens israelenses em situações similares. Para Emily, estar na água representa um refúgio, um lugar onde as lembranças dolorosas perdem força.

Ela também revelou que o esporte a ajuda a reconstruir a confiança. “Acredito que fazer essas coisas é uma forma de manter minha mente em um lugar positivo e não no trauma pelo qual passei”, disse. “Estou usando isso de uma maneira positiva para reconstruir as coisas.

Isso está me levando à Emily que sou hoje. É quase a mesma pessoa, mas com algumas coisas a mais.”

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O símbolo que virou marca

Damari, outra ex – refém que também ficou conhecida pelo gesto de levantar a mão ferida ao retornar do cativeiro, compartilhou sua própria jornada de superação. Ela perdeu dois dedos quando foi baleada no dia do sequestro. O movimento da mão se tornou um símbolo e inspirou o logotipo de sua marca de roupas, que carrega o slogan “nunca perca a si mesma”.

Para Damari, o processo de reconstrução passa por transformar a dor em algo produtivo. “Acredito que fazer essas coisas é uma forma de manter minha mente em um lugar positivo e não no trauma pelo qual passei”, repetiu, reforçando a ideia de que o ativismo e a criação de uma marca própria são parte do tratamento.

O trauma, segundo ela, não define quem ela é hoje — mas ajudou a moldar uma versão mais forte de si mesma.