A lua Europa, de Júpiter, é alvo de novas pesquisas que questionam sua habitabilidade. Estudo revela que fundo oceânico pode ser forte demais para vida.
A lua Europa, que orbita Júpiter, é considerada um dos locais mais promissores do Sistema Solar na busca por vida extraterrestre. Acredita-se que um vasto oceano subterrâneo esteja escondido sob sua camada de gelo. No entanto, novas pesquisas levantam questionamentos sobre sua real habitabilidade.
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Um estudo recente analisou o fundo do oceano de Europa em busca de atividade tectônica e vulcânica, que na Terra favorece interações entre rochas e água do mar, gerando nutrientes essenciais. Após modelar as condições de Europa, os cientistas concluíram que seu assoalho rochoso é provavelmente forte demais para permitir esse tipo de atividade.
Os pesquisadores levaram em conta o tamanho de Europa, a composição de seu núcleo rochoso e as forças gravitacionais exercidas por Júpiter. A conclusão de que há pouca ou nenhuma atividade de falhamento no fundo do oceano sugere que essa lua pode não abrigar vida.
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A vida na Terra pode ter surgido em ambientes dinâmicos ao redor de fontes hidrotermais no fundo do mar, mas Europa pode não ter essas características. “Nossas descobertas indicam que o fundo do oceano provavelmente não possui grandes formas tectônicas, como cristas ou vales profundos”, afirmou Christian Klimczak, geólogo da Universidade da Geórgia e coautor do estudo.
Europa tem um diâmetro de cerca de 3.100 quilômetros, um pouco menor que a Lua da Terra. Sua crosta de gelo é estimada entre 15 e 25 quilômetros de espessura, sobre um oceano que pode ter entre 60 e 150 quilômetros de profundidade. Apesar de seu tamanho, acredita-se que seu oceano de água líquida salgada contenha o dobro da água dos oceanos terrestres.
“Três fatores são críticos para a vida: água líquida, química orgânica e energia”, destacou Byrne. “O oceano subterrâneo de Europa atende ao primeiro requisito. Identificamos compostos orgânicos na camada de gelo, e é provável que esses compostos também estejam presentes no oceano.”
A Nasa lançou em 2024 a espaçonave robótica Europa Clipper, com a missão de investigar se Europa possui condições adequadas para sustentar vida. A agência planeja que a Europa Clipper realize diversos sobrevoos a partir de 2031.
A força gravitacional de Júpiter afeta suas luas de maneiras distintas. Io, a maior lua interna, é o corpo mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar, enquanto Europa, que orbita a uma distância maior, não apresenta a mesma atividade. “O aquecimento por marés diminui rapidamente com a distância, então, embora haja calor suficiente para evitar que o oceano congele, não há energia suficiente para deformar tectonicamente o fundo do oceano”, explicou Byrne.
O estudo focou nas condições atuais de Europa, mas há indícios de que a lua pode ter sido mais geologicamente ativa no passado. “É possível que, em algum momento, Europa tenha sido habitável, antes que as condições mudassem e a energia química necessária para a vida se esgotasse”, concluiu Byrne.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.