EUA organizam repatriação de passageiros em navio com surto de hantavírus letal
Estados Unidos organiza voo de repatriação para cidadãos a bordo de navio com surto de hantavírus. Entenda a gravidade da situação e os próximos passos.
Voo de repatriação para passageiros americanos em navio com surto de hantavírus
Os Estados Unidos estão organizando um voo de repatriação para trazer de volta os cidadãos americanos que estavam a bordo de um navio de cruzeiro holandês, que foi afetado por um surto de uma cepa letal de hantavírus. O planejamento do voo foi anunciado pelo Departamento de Estado americano na última sexta-feira (8).
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Um porta-voz do departamento informou que estão monitorando a situação do navio no Oceano Atlântico e mantendo contato próximo com a tripulação, além de autoridades de saúde americanas e internacionais.
O porta-voz também destacou que o departamento está em comunicação direta com os americanos presentes no navio e está preparado para oferecer assistência consular assim que necessário, na Espanha. De acordo com a operadora de cruzeiros Oceanwide Expeditions, há 17 passageiros americanos a bordo do navio.
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Histórico do hantavírus e seus efeitos
Em 2018, as autoridades de saúde do sul da Argentina enfrentaram uma corrida contra o tempo para entender a origem de uma grave enfermidade que afetou quase três dezenas de pessoas na pequena vila de Épuyén. Ao final do surto, 11 pessoas haviam falecido.
A doença, que levou muitos a serem internados em unidades de terapia intensiva devido a pneumonia e problemas respiratórios severos, foi causada por um hantavírus transmitido por roedores, com potencial de transmissão de pessoa para pessoa.
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Acredita-se que o mesmo vírus tenha infectado os passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, que está a caminho de um porto nas Ilhas Canárias. Antes do surto em Épuyén, pouco se sabia sobre a transmissão do hantavírus, conforme relatou o Dr. Gustavo Palacios, microbiologista da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, em Nova York.
Transmissão e rastreamento do vírus
Palacios, que foi diretor do Centro de Ciências Genômicas do Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA, ajudou a desvendar a transmissão do vírus de pessoa para pessoa. Ele mencionou que existem poucos casos documentados de transmissão do hantavírus dos Andes, com cerca de 300 casos na história.
O estudo sobre o surto em Épuyén revelou que o período de transmissão do vírus andino é curto, com as pessoas atingindo o pico de transmissibilidade no dia em que desenvolvem febre.
O primeiro paciente do surto em Épuyén, um homem de 68 anos, infectou outras pessoas após um breve contato durante uma festa de aniversário. A infecção por hantavírus é geralmente associada ao contato com roedores, mas o hantavírus dos Andes se destaca por sua capacidade de se espalhar entre humanos.
Desenvolvimentos recentes e monitoramento
Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) considere a ameaça do surto atual no navio de cruzeiro Hondius como baixa, a OMS classifica os hantavírus como patógenos emergentes prioritários, devido ao seu potencial de causar emergências de saúde pública.
A infecção por hantavírus pode ser fatal, e a OMS está monitorando a situação de perto.
Na quarta-feira, a OMS confirmou que um homem na Suíça testou positivo para o vírus após desembarcar do navio Hondius. O rastreamento de contatos está em andamento, e a Oceanwide Expeditions está trabalhando para identificar quem embarcou e desembarcou do navio desde março.
Até o momento, foram registrados oito casos de doenças relacionadas ao navio, incluindo três casos confirmados de hantavírus e cinco suspeitos.
Investigação e resposta ao surto
Os passageiros do navio, muitos dos quais são observadores de pássaros experientes, inicialmente levantaram suspeitas sobre a gripe aviária e infecções por legionela. Após testes negativos para esses patógenos, a Dra. Lucille Blumberg, especialista em doenças infecciosas, solicitou testes para hantavírus, que resultaram positivos.
O sequenciamento genético confirmou que se tratava da cepa Andes.
A Dra. Blumberg e sua equipe estão ativamente rastreando os contatos dos pacientes evacuados para a África do Sul e trabalhando no sequenciamento completo do genoma do vírus. A cooperação global da comunidade científica, liderada pela OMS, tem sido fundamental na resposta ao surto.
Especialistas em doenças infecciosas, como o Dr. William Schaffner, expressaram interesse na situação, destacando a raridade de infecções por hantavírus em um navio de cruzeiro e as implicações científicas e de saúde pública que isso traz.