EUA fazem rara visita a Mianmar e libertam ex-fuzileiro americano preso

A delegação americana negociou a soltura de Adam Castillo, ex-fuzileiro preso por 97 dias sob acusações consideradas infundadas.

18/09/2026 03:52

4 min

General Min Aung Hlaing, comandante do Exército de Mianmar e chefe do regime que deu um golpe no país
General Min Aung Hlaing, comandante do Exército de Mianmar e che...

Uma delegação dos Estados Unidos esteve em Mianmar nesta semana e conseguiu a libertação de um empresário americano que estava preso no país desde junho. O encontro ocorreu na terça – feira (15) em Naypyidaw, a capital, e foi um dos contatos de mais alto nível entre as duas nações desde o golpe militar de 2021.

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O cidadão americano libertado é Adam Castillo, um ex – fuzileiro naval que administrava uma empresa de segurança e gerenciamento de riscos em Yangon, a capital comercial de Mianmar. Segundo um porta – voz do Departamento de Estado dos EUA, foi a própria delegação americana que garantiu a soltura de Castillo durante as reuniões com autoridades do governo apoiado pelos militares.

A prisão e as acusações contra o empresário

Castillo foi detido em 11 de junho no aeroporto internacional de Yangon. As autoridades de Mianmar o acusaram de usar sua posição como chefe da Câmara de Comércio Americana para fazer lobby em Washington, informação divulgada pela agência Reuters.

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Ele ficou 97 dias sob custódia.

Os apoiadores de Castillo, no entanto, classificam as acusações como infundadas. A irmã dele, Amanda Castillo, afirmou em comunicado que a prisão foi motivada por uma disputa com empresários locais. “Empresários corruptos fizeram acusações infundadas contra ele para promover seus próprios interesses empresariais e políticos”, disse ela.

Amanda também agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao vice – presidente JD Vance pelo trabalho pela libertação do irmão.

A organização sem fins lucrativos Global Reach também atuou para garantir a liberdade de Castillo. O diretor – executivo da ONG, Mickey Bergman, afirmou que integrantes do governo Trump trabalharam discretamente nos bastidores. “Estamos muito felizes em ver Adam voltando para casa”, disse Bergman, que também agradeceu à liderança de Mianmar pela cooperação.

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O contexto diplomático e a ofensiva da junta

A visita da delegação americana ocorre em um momento em que a junta militar de Mianmar intensifica esforços para obter reconhecimento internacional. Após realizar eleições organizadas no início de 2026, que instalaram o chefe da junta, Min Aung Hlaing, como presidente, o país busca retomar contatos com a comunidade internacional.

A votação foi amplamente criticada como uma farsa por analistas e pela oposição.

Mianmar afirmou na quarta – feira que a deportação de Castillo teve “o objetivo principal de manter relações bilaterais amistosas” com os EUA. Analistas, como Richard Horsey, consultor sênior para a Ásia do International Crisis Group, avaliam que a libertação foi um gesto diplomático. “Min Aung Hlaing nunca escondeu que quer reabrir um canal com Washington”, disse Horsey. “Libertar um americano que estava detido por causa de uma disputa empresarial não lhe custa nada e lhe garante uma narrativa de boa vontade.”

Desde a eleição, Min Aung Hlaing iniciou uma ofensiva diplomática. Na semana passada, ele se reuniu com líderes do Camboja em Phnom Penh, após uma visita ao Vietnã. O general também viajou para Índia, China, Rússia, Laos, Tailândia, Cazaquistão e Belarus em busca de legitimidade e investimentos. “É uma sequência de aceitação diplomática que ele não poderia ter obtido antes da eleição”, acrescentou Horsey, ponderando que, até agora, “Naypyidaw está acumulando apertos de mão e apresentando – os como reconhecimento”.

A posição dos EUA e as sanções

Os Estados Unidos e a maioria dos países ocidentais não reconhecem o governo apoiado pelos militares como legítimo. A líder deposta Aung San Suu Kyi, de 81 anos, continua detida. A ONU e grupos de direitos humanos acusam os militares de crimes de guerra, incluindo massacres e bombardeios a vilarejos.

Apesar disso, o Departamento de Estado afirmou que mantém contatos regulares com autoridades em Naypyidaw sobre questões que afetam os interesses americanos. O porta – voz disse que os EUA continuarão a levantar a necessidade de cessar a violência e libertar presos políticos.

Em julho de 2025, Washington retirou algumas sanções impostas a aliados da junta e a suas empresas, uma medida criticada pelo então relator especial da ONU para Mianmar, Tom Andrews, como “uma mudança chocante na política dos EUA que corre o risco de fortalecer a junta militar”.

O governo Trump também encerrou o status legal temporário concedido a cidadãos de Mianmar nos EUA, citando as eleições da junta como evidência de melhora na situação. Min Aung Hlaing, por sua vez, já pediu que Washington considere suspender e flexibilizar as sanções econômicas contra o país.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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