Walber Barral alerta sobre a cautela necessária na retirada de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, destacando que muitos ainda enfrentam sobretaxas.
A decisão dos Estados Unidos de eliminar tarifas sobre alguns produtos brasileiros deve ser avaliada com cautela, segundo Walber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da consultoria BMJ. Ele ressalta que, apesar de itens importantes terem sido incluídos, uma parte considerável das exportações do Brasil ainda enfrenta sobretaxas.
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Entre os produtos que permanecem sujeitos a tarifas estão carne bovina, café, diversas frutas, além de componentes aeronáuticos e alguns bens industriais e químicos. Barral observa que muitos produtos industriais continuam com sobretaxas de até 40%, como é o caso do café solúvel, que não foi incluído na lista de isenção.
O ex-secretário também destacou que outras tarifas aplicadas pelos EUA permanecem em vigor, afetando setores específicos. Produtos como aço, alumínio, madeira, móveis e cobre ainda têm tarifas de 50% devido à ordem executiva 232. Essas tarifas não foram alteradas pela nova medida, que não abrange todos os produtos exportados.
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Além disso, a investigação da Seção 301, conduzida pela USTR (Representação Comercial dos Estados Unidos), continua aberta e pode resultar em novas restrições. Barral enfatiza que, embora haja avanços, a necessidade de negociações estruturais persiste, já que muitos produtos ainda enfrentam tarifas elevadas e investigações em andamento.
Na quinta-feira (20), o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que isenta alguns produtos brasileiros de sobretaxas, com efeito retroativo a 13 de novembro. Entre os itens mencionados estão café, carne bovina, petróleo e frutas, que são alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil para os EUA.
O comunicado de Trump também faz referência a uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada em 6 de outubro, onde ambos concordaram em negociar as tarifas. O presidente americano afirmou que as “recomendações adicionais” de sua equipe e o progresso nas negociações com o Brasil foram fatores que levaram à remoção das tarifas.
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Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.