
Altos líderes dos Estados Unidos e do Irã chegaram a Islamabad, a capital do Paquistão, para iniciar negociações com o intuito de encerrar a guerra que já se estende por seis semanas. Contudo, Teerã levantou incertezas sobre as conversas, afirmando que elas não poderiam ser iniciadas sem compromissos relacionados ao Líbano e às sanções.
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A delegação americana, chefiada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, e composta pelo enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, aterrissou em dois aviões da Força Aérea dos EUA em uma base aérea local.
Ao chegarem, foram recebidos pelo chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, e pelo ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar. A delegação iraniana, por sua vez, é liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi.
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Essas conversações representam o mais alto nível de diálogo entre os EUA e o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979 e marcam as primeiras negociações oficiais presenciais desde 2015, quando um acordo sobre o programa nuclear iraniano foi firmado.
O ex-presidente Trump cancelou o acordo nuclear em 2018, e desde então, o então Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que faleceu no início da guerra, proibiu novas conversas diretas entre autoridades dos dois países. Qalibaf, em uma publicação na rede social X, afirmou que Washington havia previamente concordado em desbloquear ativos iranianos e em um cessar-fogo no Líbano, onde ataques israelenses contra militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, resultaram em quase 2 mil mortes desde o início dos combates em março.
Ele ressaltou que as negociações não teriam início até que essas promessas fossem cumpridas.
A emissora estatal iraniana informou que a delegação iraniana se reuniria com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, para discutir o momento e a forma de possíveis negociações. Enquanto isso, Israel e os EUA afirmaram que a campanha no Líbano continua, enquanto Teerã insiste em sua posição.
Qalibaf também declarou que o Irã estaria disposto a chegar a um acordo se Washington oferecesse um entendimento genuíno e garantisse os direitos iranianos.
A Casa Branca não se manifestou imediatamente sobre as exigências iranianas, mas Trump comentou que a única razão pela qual os iranianos ainda estão vivos é para negociar um acordo. Ele afirmou que os iranianos não percebem que não têm cartas na manga, exceto a extorsão de curto prazo.
O vice-presidente Vance, a caminho do Paquistão, expressou esperança em um resultado positivo, mas alertou que, se o Irã tentar enganar os EUA, a equipe de negociação não será receptiva.
Discussões preliminares já ocorreram entre autoridades paquistanesas e equipes de reconhecimento de ambos os lados. A agência de notícias iraniana Tasnim informou que essas equipes incluíam especialistas em áreas econômica, de segurança e política.
Cerca de 100 membros da equipe de reconhecimento dos EUA estavam em Islamabad, e fontes locais mostraram-se otimistas quanto às negociações, embora afirmassem que ainda era cedo para prever um desfecho.
Antes das negociações, Islamabad estava sob um bloqueio sem precedentes, com milhares de paramilitares e soldados nas ruas. O secretário de Estado do Interior do Paquistão, Talal Chaudhry, destacou que um esquema de segurança em múltiplas camadas foi implantado para garantir a segurança do evento.
Trump anunciou recentemente a interrupção dos ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã, mas isso não encerrou o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, que causou uma significativa interrupção no fornecimento global de energia.
As autoridades israelenses e libanesas relataram que ambos os lados discutiram por telefone sobre um cessar-fogo e a definição de uma data para negociações bilaterais mediadas pelos EUA. No entanto, a embaixada de Israel em Washington afirmou que as conversas representariam o início de negociações formais de paz, enquanto Israel se recusou a discutir um cessar-fogo com o Hezbollah.
A agenda do Irã nas negociações inclui exigências de novas concessões, como o fim das sanções que impactaram sua economia e o reconhecimento de sua autoridade sobre o Estreito de Ormuz. A postura firme dos líderes iranianos antes das negociações reflete uma mensagem desafiadora do novo Líder Supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, que afirmou que o Irã exigirá indenizações por danos causados pela guerra.
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Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.