EUA e Irã: Facção Conservadora Aumenta Pressão em Negociações Cruciais

As negociações entre EUA e Irã atingem um ponto crítico, enquanto a facção conservadora “Jebhe-ye Paydari” intensifica sua oposição. O que isso significa para

Negociações Críticas entre EUA e Irã

Com as negociações entre os Estados Unidos e o Irã alcançando um ponto crucial, uma facção influente e conservadora intensificou seus esforços para minar um possível acordo com Washington. Esse grupo, que compartilha a visão do presidente Donald Trump de que o acordo nuclear de 2015 foi um erro, opera com motivações distintas.

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Suas posturas são tão hostis ao Ocidente que até mesmo os conservadores iranianos de linha-dura têm encontrado dificuldades em apaziguá-los.

Enquanto os novos líderes da República Islâmica tentam projetar uma imagem de unidade diante da maior ameaça ao regime, essa facção radical, conhecida como “Jebhe-ye Paydari” ou Frente da Resistência, tem aumentado suas ações na mídia, no parlamento e nas ruas.

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Eles argumentam que somente derrotando Washington o Irã poderá assegurar um acordo vantajoso. Observadores os descrevem como “Super Revolucionários”, defensores dos valores da revolução de 1979, que derrubou o xá pró-Ocidente e estabeleceu um regime autoritário baseado na ideologia islâmica xiita.

Divisões Internas e Lutas pelo Poder

O crescimento do grupo como uma das vozes mais ativas contra a aproximação com os EUA nos últimos meses revela as lutas pelo poder que estão moldando o Irã após a morte do ex-líder supremo Ali Khamenei, ocorrida no final de fevereiro. Com Teerã envolvido em negociações de paz delicadas, o resultado pode definir qual facção dominará a próxima fase da República Islâmica.

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Nos últimos trinta dias, autoridades iranianas têm tentado equilibrar as negociações com Trump enquanto apaziguam facções poderosas no cenário político do país, incluindo o grupo Paydari. A participação de membros do grupo nas conversas com negociadores americanos no Paquistão no mês passado indicou que Teerã buscava demonstrar coesão interna.

Contudo, o grupo tem se tornado cada vez mais crítico em relação aos negociadores, levando Trump a descrever a liderança iraniana como “fraturada” e em “desordem”.

Críticas e Ameaças à Negociação

Os líderes iranianos, incluindo o novo Líder Supremo, emitiram declarações de unidade após as afirmações de Trump, mas a facção de linha-dura continuou a semear divisões, acusando os negociadores de deslealdade à República Islâmica. Para muitos dentro do grupo, até mesmo considerar um acordo com os EUA é visto como uma capitulação.

Um artigo crítico no Raja News, veículo associado à Frente Paydari, expressou que os EUA não enfrentam consequências por suas ações, insinuando que mesmo a morte de líderes iranianos não impediria negociações.

A facção é considerada tão radical que até mesmo outros conservadores a veem como marginal. No entanto, os “Jebhe-ye Paydari” estão inseridos em centros de poder influentes, contando com figuras proeminentes na mídia e na política. Embora não esteja claro o quanto de apoio o grupo realmente possui, uma de suas figuras mais destacadas, Saeed Jalili, obteve 13 milhões de votos nas eleições de 2021, ficando em segundo lugar.

Mobilização e Resistência

Os membros do grupo se opõem às negociações com os EUA por convicções religiosas e ideológicas. Eles acusam autoridades iranianas de covardia por participarem de conversas que, segundo eles, causariam danos à nação. Ao mesmo tempo, seus opositores os acusam de vazar informações incompletas sobre o possível acordo.

O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi alvo de críticas, e um legislador ligado ao grupo, Mahmoud Nabavian, declarou que negociar sobre o programa nuclear foi um “erro estratégico”.

Após semanas de bombardeios americanos e israelenses, o grupo organizou grandes comícios em Teerã, criando um novo centro de poder. Milhares de apoiadores da República Islâmica, incluindo membros do Paydari, se mobilizaram para pressionar os novos líderes do país.

O atual líder espiritual do grupo, aiatolá Mahdi Mirbaqiri, é visto como altamente influente e já foi considerado um potencial candidato a Líder Supremo.

Desafios e Isolamento

Com a crescente visibilidade do grupo e suas tentativas de criar divisões, muitos no Irã estão se unindo contra ele. O espectro político do país é historicamente dividido, mas o Jebhe-ye Paydari se tornou tão controverso que até políticos rivais se uniram em oposição.

Críticas severas surgiram na mídia, e comentaristas políticos apontam que a facção está se tornando cada vez mais isolada.

Analistas sugerem que os linha-dura não são contra um acordo com os EUA, mas desejam ser eles a conduzir as negociações para aumentar sua influência. A questão central gira em torno da tática para alcançar um acordo e quem terá a autoridade para realizá-lo.

O futuro das negociações e o equilíbrio de poder no Irã permanecem incertos, à medida que as facções lutam por controle em um cenário político volátil.