EUA e China em rota de colisão: Conflito sobre Taiwan pode desencadear risco nuclear
Conflito EUA-China sobre Taiwan pode desencadear uma escalada nuclear. Entenda as implicações e reações das potências nesta análise do IISS
Conflito EUA-China sobre Taiwan e Risco Nuclear
Um conflito entre os Estados Unidos e a China em relação a Taiwan pode resultar em uma escalada nuclear, com as Forças Armadas de ambos os países realizando operações abrangentes direcionadas a centros de comando e comunicação adversários. Essa afirmação foi feita por um importante centro de pesquisa em defesa, o IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos), com sede em Londres, em uma avaliação estratégica divulgada antes do principal encontro anual de defesa da Ásia, que ocorrerá em Singapura neste fim de semana.
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O IISS alertou que o mundo está à beira de uma nova corrida armamentista nuclear, com a região da Ásia-Pacífico no epicentro. Segundo a avaliação, “Estados regionais e aqueles com interesses estratégicos estão ampliando seus arsenais nucleares, enquanto nações sem armas nucleares buscam capacidades de ataque convencional de longo alcance, desafiando a estabilidade estratégica”.
Reações e Pressões sobre Taiwan
As autoridades americanas não puderam ser contatadas imediatamente para comentar a situação. O porta-voz do Ministério da Defesa da China, Jiang Bin, declarou que o relatório do IISS é “bastante inconsistente” com a realidade, ressaltando que a questão de Taiwan é um assunto interno da China, que não aceita interferências externas.
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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, também se manifestou, afirmando que a China age “com a máxima cautela”.
A China nunca descartou a possibilidade de usar a força para controlar Taiwan, embora prefira uma “reunificação pacífica”. O governo de Taiwan, por sua vez, rejeita as reivindicações de soberania feitas por Pequim. A pressão chinesa sobre a região aumentou, mantendo Taipé em estado de alerta para novas ações após a cúpula.
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Perspectivas de Escalada Nuclear
A avaliação de 156 páginas do IISS analisa a evolução das doutrinas militares na região e o possível desenrolar de um conflito em torno de Taiwan. Apesar de os objetivos das forças americanas e chinesas serem distintos — com os chineses buscando controlar os EUA e seus aliados, enquanto a Casa Branca visa fortalecer a resiliência da ilha —, é esperado que ambos os lados realizem grandes operações em múltiplos domínios militares.
O documento destaca que “um conflito com a China pode levar a uma escalada, potencialmente em um nível nuclear, dada a importância estratégica de Taiwan para Pequim”. Além disso, menciona que atualmente há poucas evidências públicas que indiquem que os exércitos de ambos os países compreendam as salvaguardas necessárias para evitar ataques a centros críticos de comando e controle.
Desafios nas Relações EUA-China
Daniel Salisbury, pesquisador sênior do IISS, observou que não houve discussões específicas sobre armas nucleares na última cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, ressaltando que a relação entre as duas superpotências é “bastante difícil” no que diz respeito à questão nuclear.
Ele destacou que, durante a Guerra Fria, os EUA mantiveram um histórico de diálogos com a União Soviética sobre controle de armas e redução de riscos, mas que qualquer conversa com a China seria mais complexa devido à opacidade do arsenal nuclear chinês.
Embora os arsenais dos EUA e da Rússia sejam significativamente maiores que o da China, analistas de controle de armas afirmam que a China está expandindo suas capacidades nucleares mais rapidamente do que qualquer outra potência. Um relatório do Pentágono, divulgado em dezembro, indicou que a China pode ter mil ogivas nucleares até 2030, enquanto a Federação de Cientistas Americanos estima que a Rússia e os EUA possuam 4.400 e 3.700 ogivas ativas, respectivamente, em comparação com as 620 da China.
Diálogo de Shangri-La e Temas Centrais
O conflito no Irã e as incertezas sobre os compromissos dos EUA na região devem ser temas centrais no Diálogo de Shangri-La do IISS, que ocorrerá de 29 a 31 de maio. Este evento informal reunirá uma variedade de ministros, generais, chefes de inteligência, diplomatas, analistas e fabricantes de armas.
O encontro acontece após a cúpula em Pequim, que gerou preocupações em Taipé sobre o compromisso de Washington em apoiar a ilha governada democraticamente em sua defesa.