Estados Unidos convidam 54 países, incluindo o Brasil, para criar um bloco internacional de minerais críticos. Descubra os detalhes dessa proposta ambiciosa!
Com a intenção de tornar mais atrativa a proposta de um bloco internacional de minerais críticos, o governo dos Estados Unidos estendeu um convite a 54 países, incluindo o Brasil, para oferecer apoio financeiro e assistência no mapeamento geológico.
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A estratégia foca em nações com grande potencial mineral, como Brasil, Indonésia e países africanos, visando superar dois desafios principais do setor: o alto custo de capital e o conhecimento limitado sobre o subsolo.
Essa iniciativa busca reorganizar a cadeia global de minerais críticos, atualmente dominada pela China, um cenário que Washington considera um risco para suas indústrias de defesa e tecnologia avançada. Durante a reunião em que foi apresentado o convite, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, destacou que a proposta seria uma “parceria” entre as nações e mencionou a possibilidade de financiamento bilionário.
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“Para aqueles que aderirem, oferecemos a base necessária para financiamento privado e acesso seguro aos suprimentos de minerais críticos que sua nação precisaria em uma emergência ou outra contingência. Mobilizamos instrumentos de financiamento público em uma escala sem precedentes, oferecendo até US$ 100 bilhões em capacidade de crédito para minerais críticos ao Escritório de Capital Estratégico”, afirmou Vance.
Logo após o anúncio, os EUA firmaram acordos de cooperação mineral com Argentina e México, que incluem financiamento e apoio ao mapeamento geológico. No Brasil, a falta de conhecimento detalhado do subsolo é vista como um dos principais obstáculos históricos da mineração.
Atualmente, apenas cerca de 30% do território nacional está mapeado na escala 1:100.000, considerada mais precisa.
Isso implica que mais de 70% do potencial geológico do país permanece desconhecido. Empresas do setor afirmam que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) opera com um orçamento muito abaixo do necessário para avaliar adequadamente os recursos minerais nacionais.
Embora a estratégia americana pareça atrativa, também suscita preocupações.
Fontes do setor alertam que a participação externa em mapeamento geológico pode gerar debates sobre soberania mineral e controle de informações estratégicas. O acesso ao financiamento continua sendo um grande obstáculo para o avanço de projetos minerais no Brasil, especialmente para mineradoras de pequeno e médio porte, que enfrentam dificuldades em captar recursos devido à falta de ativos consolidados e histórico operacional.
Esse cenário é particularmente delicado para projetos de minerais críticos, como terras raras, que exigem investimentos altos e longos prazos de maturação, além de envolver incertezas geológicas e de mercado. Como resultado, o risco percebido pelos financiadores aumenta, elevando o custo do crédito ou dificultando o acesso aos recursos.
Sobre o convite dos Estados Unidos, membros do governo brasileiro avaliam que a proposta deve ser analisada com cautela. Segundo fontes consultadas, há preocupações sobre possíveis condicionantes comerciais, riscos de exclusividade e impactos na autonomia da política comercial brasileira, além da necessidade de alinhar o convite com outros acordos e parcerias estratégicas em andamento.
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Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.