A pressão dos EUA sobre a Venezuela se intensifica devido à sua vasta reserva de petróleo. Entenda como as sanções impactam o mercado e o futuro da produção!
Um dos principais motivos da pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela é a abundância de petróleo no país sul-americano. A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, mas, devido às sanções impostas pelos EUA desde 2019 e ao colapso de sua indústria petrolífera, está parcialmente excluída do mercado internacional.
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Essas sanções limitam a capacidade da Venezuela de exportar petróleo de forma livre, acessar financiamento internacional, importar equipamentos essenciais e atrair grandes empresas globais. Como resultado, o país tem vendido petróleo, muitas vezes através de intermediários, com grandes descontos e fora dos canais tradicionais do mercado global.
Mesmo que as sanções americanas sejam retiradas, a recuperação da Venezuela como um ator significativo no mercado internacional não será imediata. Um relatório da consultoria Wood Mackenzie revela que a produção de petróleo da Venezuela caiu de mais de 3 milhões de barris por dia no início dos anos 2000 para cerca de 900 mil barris por dia em 2025.
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As relações entre a Venezuela e os Estados Unidos no setor petrolífero têm sido instáveis. Em 2022, após o preço do petróleo Brent ultrapassar US$ 120 por barril, o governo de Joe Biden concedeu à Chevron uma licença para produzir e exportar petróleo venezuelano.
Embora essa licença tenha enfrentado revogações e renovações, a Chevron atualmente representa cerca de um quarto da produção total do país.
Segundo a Wood Mackenzie, a indústria petrolífera da Venezuela necessita urgentemente de apoio operacional e financeiro. Se as sanções forem suspensas, a produção pode ser impactada positivamente em curto prazo. Melhorias operacionais e investimentos na Faixa do Orinoco poderiam elevar a produção a cerca de 2 milhões de barris por dia em um a dois anos, desde que as condições sejam favoráveis.
A consultoria Argus aponta que, para a produção retornar aos níveis anteriores às sanções, seriam necessários investimentos significativos de empresas internacionais. Isso exigiria não apenas o fim das sanções, mas também mudanças profundas no ambiente legal e empresarial da Venezuela, o que é incerto diante da instabilidade política atual.
Os analistas concordam que, embora o petróleo venezuelano possa ganhar espaço no mercado global com um alívio das sanções, uma recuperação robusta e sustentável dependerá de fatores como estabilidade política, segurança jurídica e investimentos de longo prazo, que ainda estão cercados de incertezas.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.