EUA acusam China de teste nuclear secreto em 2020, levantando preocupações sobre controle de armas após o fim do Tratado Novo START. Saiba mais!
Os Estados Unidos acusam a China de ter realizado um teste nuclear secreto em 2020. Essa alegação foi feita na sexta-feira (5) e ocorre um dia após o término do último tratado de controle de armas nucleares entre os EUA e a Rússia. Com isso, as duas maiores potências nucleares do mundo ficam sem limites para seus arsenais pela primeira vez desde a Guerra Fria.
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O presidente Donald Trump e outros membros de seu governo afirmaram que não seguirão mais as limitações do Tratado Novo START. Eles defendem a necessidade de um novo acordo que aborde as ameaças de Moscou e Pequim. No ano passado, Trump já havia sugerido a retomada dos testes de armas nucleares dos EUA.
Em um discurso na Conferência Global sobre Desarmamento, em Viena, o subsecretário de Estado para Controle de Armas e Segurança Internacional, Thomas DiNanno, afirmou que o governo dos EUA está ciente de que a China realizou testes com explosivos nucleares.
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Ele mencionou que a China teria realizado um teste nuclear com produção de energia em 22 de junho de 2020, mas não forneceu detalhes adicionais.
Um ex-alto funcionário dos EUA informou à CNN que as informações sobre o teste chinês foram desclassificadas. DiNanno acusou os militares chineses de tentarem ocultar os testes, alegando que eles violam compromissos de proibição de testes nucleares.
Segundo DiNanno, a China utilizou o método de desacoplamento para reduzir a eficácia do monitoramento sísmico, dificultando a detecção de suas atividades. Especialistas explicam que esse método envolve escavar uma grande caverna para minimizar a atividade sísmica de uma explosão nuclear.
Rob Floyd, secretário executivo da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO), afirmou que seu sistema não detectou eventos que corresponderiam a uma explosão de teste nuclear em 22 de junho de 2020. Ele destacou que o sistema é capaz de detectar explosões com potência equivalente a aproximadamente 500 toneladas de TNT.
DiNanno declarou que o dia 5 de fevereiro de 2026 marca o fim da contenção unilateral dos EUA, referindo-se ao término do Tratado Novo START. Embora não tenha afirmado explicitamente que novas armas nucleares seriam instaladas, ele indicou que isso é uma possibilidade.
Os EUA pretendem concluir seus programas de modernização nuclear e manter uma dissuasão nuclear robusta. DiNanno também mencionou que a próxima era do controle de armas deve incluir mais do que apenas a Rússia nas negociações.
Não está claro como os EUA planejam trazer a China para a mesa de negociações, uma vez que Pequim tem rejeitado consistentemente as discussões trilaterais de controle de armas. Matthew Kroenig, do Atlantic Council, observou que, se a China realmente se preocupa com o controle de armas, deveria querer participar das negociações.
Alguns oficiais do governo dos EUA acreditam que o fim do Novo START pode levar a uma expansão do arsenal nuclear americano, o que poderia gerar preocupações na China e incentivá-la a negociar. Daryl Kimball, da Arms Control Association, ressaltou que, se houver violação do tratado de proibição de testes nucleares, isso é um problema significativo, mas apenas reclamar não resolve a situação.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.