Estudos recentes revelam que a cannabis é ineficaz no tratamento de saúde mental, desafiando crenças populares. Descubra os detalhes surpreendentes!
Pesquisas recentes indicam que o uso de maconha, seja para fins medicinais ou recreativos, não é eficaz no alívio de sintomas relacionados a diversas condições de saúde mental. As análises, consideradas padrão-ouro, incluem produtos que contêm canabidiol (CBD) e delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), a substância responsável pela euforia.
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Jack Wilson, pesquisador pós-doutoral do Centro Matilda para Pesquisa em Saúde Mental e Uso de Substâncias da Universidade de Sydney, afirmou: “Não encontramos evidências de que qualquer forma de cannabis seja eficaz no tratamento de ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático, que são três das principais razões pelas quais a cannabis é prescrita.”
Wilson, autor principal de um dos estudos publicados na segunda-feira (16), analisou dados de 54 ensaios clínicos randomizados realizados entre 1980 e 2025. Ele destacou que a maioria dos medicamentos à base de cannabis utilizados nesses estudos eram formulações orais, como cápsulas, sprays ou óleos. “Na vida real, as pessoas normalmente usam maconha fumada, e há ainda menos evidências de sua eficácia para a saúde mental”, acrescentou.
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Além de não apresentar benefícios, o uso de maconha também não melhorou outras condições de saúde mental, como anorexia nervosa, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtornos psicóticos, como a esquizofrenia. Especialistas apontam que os estudos sobre maconha costumam ser pequenos e difíceis de conduzir.
No entanto, os ensaios clínicos randomizados que compuseram a revisão publicada na Lancet são considerados o padrão-ouro da pesquisa. Dr. Deepak Cyril D’Souza, professor de psiquiatria e diretor do Centro Yale para a Ciência da Cannabis e Canabinoides, enfatizou que “não há evidências para recomendar o uso de cannabis ou derivados para tratar a saúde mental”.
Apesar da falta de comprovação, a maconha medicinal continua a ser aprovada em quase todos os estados dos EUA para condições de saúde mental. Wilson observou que cerca de 27% das pessoas entre 16 e 65 anos nos EUA e Canadá usaram maconha para fins medicinais, com aproximadamente metade utilizando-a para gerenciar sua saúde mental. “Além disso, a indústria da cannabis tem conexões com alguns desses estudos, o que pode impactar os resultados”, alertou.
Os especialistas alertam que, embora existam poucos benefícios, o uso de maconha medicinal e recreativa está em ascensão. O uso durante a gravidez, adolescência e início da idade adulta pode prejudicar o desenvolvimento cerebral. O consumo intenso de maconha por adolescentes e jovens adultos com transtornos de humor, como depressão e transtorno bipolar, está associado a um aumento no risco de automutilação, tentativas de suicídio e morte.
Além disso, o uso de maconha pode agravar condições mentais existentes e piorar a cognição.
Dr. D’Souza destacou que, embora muitas pessoas usem cannabis esporadicamente sem problemas, há casos em que o uso ocasional resultou em consequências graves. “Usuários diários de cannabis de alta potência têm seis vezes mais probabilidade de desenvolver um transtorno psicótico, como esquizofrenia ou transtorno bipolar, em comparação com aqueles que nunca usaram”, afirmou.
A quantidade de THC na maconha aumentou significativamente, passando de cerca de 4% na década de 1970 para uma média de 18% a 20% atualmente. Dr. D’Souza observou que é possível encontrar cannabis em dispensários com até 35% de THC, e concentrados de maconha podem ter até 80% de THC, um aumento considerável em relação ao passado.
Essa maior potência está contribuindo para um aumento nos casos de dependência.
Nos EUA, cerca de 30% das pessoas que usam maconha desenvolvem transtorno por uso de cannabis, que é a dependência da substância. Os sintomas de dependência incluem desejos intensos, irritabilidade e dificuldades de sono após a interrupção do uso, conforme indicado pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas.
Especialistas afirmam que existem métodos comprovados para tratar problemas de saúde mental. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) são uma abordagem comum para tratar depressão e ansiedade. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a principal psicoterapia para essas condições, frequentemente combinada com ISRSs.
A TCC foca em mudar pensamentos e comportamentos negativos para melhorar a regulação emocional e o humor.
A Associação para Terapias Comportamentais e Cognitivas disponibiliza uma lista de terapeutas treinados em TCC, que pode ser pesquisada por código postal. A Associação Americana de Psicologia também oferece informações sobre terapeutas qualificados em TCC em sua ferramenta de busca.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.