Estudo revela que membros da família Médici morreram de malária e não envenenados

A pesquisa altera a narrativa histórica sobre a família Médici, revelando que as mortes foram causadas por malária, não envenenamento.

Grão-Duque à esquerda e Cardeal à direita

Um estudo recente analisou restos mortais de dois membros da famosa família Médici, questionando a teoria de que eles teriam sido envenenados. As investigações revelaram que tanto o Grão – Duque Francesco I de’ Médici ( quanto o Cardeal Giovanni de’ Médici ( apresentaram diagnóstico positivo para malária por meio de análises de DNA.

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Foram identificadas seis espécies do protozoário Plasmodium, causador da malária, nos restos dos dois integrantes da família. A pesquisa foi realizada em Florença, onde os corpos estavam preservados em caixas de metal nas Capelas Médici.

A história dos Médici e a malária na Europa

A família Médici, uma das mais influentes da Itália, governou Florença e a Toscana entre 1434 e 1737. Eles tiveram um papel significativo na Igreja Católica Romana, fornecendo quatro papas: Leão X, Clemente VII, Pio IV e Leão XI. Além disso, formaram alianças matrimoniais com casas reais europeias, como as da França, com Catarina de Médici e Maria de Médici.

A malária é causada pelo Plasmodium falciparum, um protozoário unicelular transmitido por mosquitos do gênero Anopheles. Acredita – se que esse agente tenha se proliferado na África subsaariana há cerca de 5.000 a 4.000 anos. Não se sabe ao certo quando ele chegou à Europa devido às migrações humanas.

Na Itália, a malária já era mencionada por Hipócrates e Celso, que associavam a doença a febres periódicas e fraqueza. Durante a Idade Média e o início da Idade Moderna, a malária se manteve endêmica na região até ser erradicada na década de 1950 na Toscana.

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Análise dos restos mortais dos Médici

Os especialistas decidiram realizar análises no DNA antigo retirado dos ossos do Grão – Duque e do Cardeal devido à dificuldade em identificar cepas circulantes na Itália central no século XVI através de métodos anteriores. As mortes dos dois eram compatíveis com infecções por malária e as condições de preservação dos restos nos permitiram extrair DNA.

Foram coletadas amostras de quatro costelas — três do Grão – Duque e uma do Cardeal. As análises revelaram seis espécies diferentes de Plasmodium: P. falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale spp., P. knowlesi e P. cynomolgi. Embora ambos apresentassem a presença do protozoário, as quantidades eram significativamente menores no Grão – Duque.

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Os dados sugerem que a cepa do Cardeal pode ter origem em uma variante já presente na península italiana desde os séculos I – II dC., além de registros históricos em outras partes da Europa entre 371 e 176 aC., como na Baixa Áustria e na França entre 1280 e 1395.

Quem foram Francesco I e Giovanni de’ Médici?

Francesco I de’ Médici e Giovanni de’ Médici eram irmãos e filhos de Cosimo I de’ Médici, primeiro Grão – Duque da Toscana, e Eleonora de Toledo. O Cardeal contraiu malária durante uma viagem em família ao litoral da Toscana junto com sua mãe e outro irmão.

Os três sofreram febres severas até sucumbirem em um intervalo curto no final de 1562.

Cerca de 25 anos depois, Francesco I e sua esposa Bianca Cappello visitaram uma vila dos Médici situada em área com condições sanitárias precárias propícias à malária endêmica. Ambos faleceram em 1587 após apresentar febres intermitentes compatíveis com a doença.

As circunstâncias misteriosas das suas mortes alimentaram rumores sobre envenenamento por arsênico promovido pelo irmão Cardeal Ferdinando.

A malária no mundo contemporâneo

A malária foi erradicada da Europa na década de 1970; porém, continua presente em regiões como África subsaariana, Oceania, Sul e Sudeste Asiático e América do Sul. Em 2024, estima – se que a doença tenha causado cerca de 280 milhões de infecções globalmente.

O Plasmodium falciparum permanece sendo o principal agente responsável pela forma mais letal da doença.

A descoberta dessa cepa histórica proveniente do Renascimento italiano amplia o entendimento sobre a diversidade genética das cepas durante um período cujas informações são limitadas, contribuindo para o conhecimento sobre as variações do P. falciparum ao longo dos tempos.