Estudo da Universidade de Tecnologia Chalmers revela que a poeira estelar não é suficiente para gerar ventos em R Doradus, desafiando a origem da vida na Terra.
Imortalizada por Carl Sagan, a famosa frase “somos feitos de poeira de estrelas” vai além de uma simples mensagem poética. Ela representa um fato científico comprovado, sendo um dos fundamentos da astrofísica moderna. Após a formação do cosmos, que continha apenas 75% de hidrogênio e 25% de hélio, elementos essenciais como oxigênio, carbono e cálcio foram gerados posteriormente nas estrelas.
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Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia, levantou uma questão crucial: “A luz e a poeira estelar não são suficientes para impulsionar os poderosos ventos das estrelas gigantes, que transportam os componentes básicos da vida pela galáxia”.
Para que a poeira estelar chegue à Terra, ela precisa primeiro escapar da estrela, enfrentando a forte gravidade que tenta puxá-la de volta.
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Pesquisadores testaram essa teoria em uma estrela gigante vermelha chamada R Doradus e concluíram que “a poeira sozinha não consegue gerar o vento nesta estrela, sendo necessários mecanismos adicionais”. A poeira de R Doradus apresenta dois problemas: é muito pequena e transparente.
Essa característica desafia as leis do vento estelar.
A compreensão da origem da vida na Terra está ligada à maneira como as estrelas gigantes, que são fábricas de elementos químicos, alimentam seus ventos. Sem esses ventos, os elementos essenciais nunca chegariam até nós. A explicação teórica anterior era simplista, sugerindo que a luz da estrela empurrava a poeira, arrastando o gás e criando o vento.
No entanto, o estudo de R Doradus, localizada a cerca de 192 anos-luz da Terra, questionou essa visão.
Utilizando o instrumento SPHERE/ZIMPOL do Very Large Telescope (VLT) no Chile, a equipe obteve imagens de alta resolução da luz polarizada refletida pela poeira ao redor da estrela. Os pesquisadores identificaram que a poeira é composta de silicatos sem ferro e óxido de alumínio, materiais que têm baixa absorção de luz, tornando-os quase transparentes.
Além disso, a teoria anterior afirmava que os grãos de poeira deveriam ter um tamanho mínimo de 0,3 micrômetros para serem empurrados pela luz. No entanto, medições recentes mostraram que esses grãos têm cerca de 0,1 micrômetro. Combinando observações e simulações computacionais, os pesquisadores descobriram que a poeira é pequena demais para ser impulsionada pela luz da estrela.
Os resultados indicam que a teoria de que “a luz empurra a poeira” não pode ser a principal explicação para os ventos estelares. Isso sugere que ainda não compreendemos completamente como o material que nos forma é ejetado das estrelas. O estudo não contesta a ideia de que “somos feitos de poeira de estrelas”, mas torna a explicação de como essa poeira chega até nós mais complexa.
Os astrônomos agora consideram a possibilidade de que o carbono e o oxigênio das estrelas necessitem de um “tranco” para se tornarem planetas e seres vivos. Isso pode envolver processos caóticos e turbulentos, como pulsações ou explosões de poeira.
Se a teoria atual falhou em explicar o comportamento de R Doradus, é provável que esteja incompleta para outras estrelas semelhantes no universo.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.