Estudo revela que a diversidade genética do Brasil pode ser a chave para a longevidade, com centenários mostrando resiliência surpreendente após Covid-19.
Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e publicado nesta terça-feira (6) no periódico Genomic Psychiatry indica que a diversidade genética do Brasil pode ser um fator benéfico para a longevidade e a qualidade de vida. A pesquisa é parte do projeto do Genoma USP, vinculado à Universidade de São Paulo.
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Os cientistas analisaram o caso de três idosos com mais de 110 anos que se recuperaram da Covid-19. A pesquisa se expandiu para incluir mais de 160 centenários brasileiros, entre eles, duas supercentenárias, que são indivíduos com mais de 110 anos.
Um dos destaques foi uma mulher reconhecida como a mais longeva do mundo, que faleceu em 30 de abril de 2025, aos 116 anos.
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Os pesquisadores notaram que muitos participantes do estudo vêm de áreas com menos recursos e acesso limitado a cuidados médicos, o que possibilita investigar mecanismos de resiliência humana além da medicina convencional. O estudo concluiu que a diversidade genética brasileira, resultante da mistura de europeus, africanos, nativo-americanos e asiáticos, parece favorecer a longevidade.
A pesquisa identificou mais de 8 bilhões de variantes genéticas na população brasileira que não estão presentes em bancos de dados globais. Essa diversidade genética pode revelar “genes protetores” que não são encontrados em populações da Europa e América do Norte.
Mateus Vidigal de Castro, primeiro autor do artigo, destacou que essa lacuna é um desafio na pesquisa sobre longevidade.
A pesquisa também analisou casos familiares que reforçam a influência genética na longevidade. Um exemplo é uma família brasileira com uma mulher de 110 anos e suas sobrinhas, que têm 106, 104 e 110 anos. Os dados mostram que irmãos de centenários têm de 5 a 17 vezes mais chances de viver mais de 100 anos.
O Dr. de Castro ressaltou que estudar esses agrupamentos familiares pode oferecer insights valiosos sobre a herança poligênica da resiliência e ajudar a entender as contribuições genéticas e epigenéticas para a longevidade extrema.
A longevidade no Brasil é impressionante. Um levantamento da CNN Brasil, com dados da plataforma LongeviQuest, revelou que três dos dez homens mais velhos do mundo são brasileiros, incluindo o homem vivo mais longevo, nascido em outubro de 1912. As mulheres brasileiras também se destacam, ocupando o quinto e sétimo lugares no ranking de longevidade.
A análise dos centenários que sobreviveram à Covid-19 em 2020 mostrou altos níveis de anticorpos e proteínas relacionadas à resposta imune, evidenciando características únicas no sistema imunológico dos participantes. Essas descobertas podem auxiliar no desenvolvimento de estratégias terapêuticas e abordagens médicas para promover a saúde em diversas populações.
Mayana Zatz, coordenadora do Genoma USP e autora correspondente do artigo, enfatizou a importância de incluir populações geneticamente diversas em consórcios internacionais de longevidade e genômica, para aprofundar o conhecimento científico e melhorar a equidade na pesquisa em saúde global.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.