Estudo revela aumento alarmante na mortalidade por câncer de cabeça e pescoço no Brasil!

Estudo revela mudanças alarmantes na mortalidade por câncer de cabeça e pescoço no Brasil, destacando desigualdades entre gêneros e regiões. Descubra os detalhes!

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(Imagem de reprodução da internet).

Estudo Revela Mudanças na Mortalidade por Câncer de Cabeça e Pescoço no Brasil

Uma pesquisa recente publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas destacou alterações significativas no perfil de mortalidade por câncer de cabeça e pescoço no Brasil ao longo de 44 anos. Embora a incidência da doença continue a ser maior entre homens, observou-se um aumento preocupante nas mortes de mulheres, pessoas pardas e moradores das regiões Norte e Nordeste, evidenciando desigualdades.

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A análise abrangeu dados de 1980 a 2023, utilizando informações do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) do Ministério da Saúde. O estudo revela que as disparidades socioeconômicas e geográficas influenciam diretamente os desfechos da doença.

Desigualdades e Fatores de Risco

Embora o Brasil tenha alcançado avanços no controle do câncer entre homens brancos nas regiões Sul e Sudeste, a situação é diferente para outros grupos. O aumento das mortes entre mulheres, pessoas pardas e populações do Norte e Nordeste pode ser atribuído a mudanças nos comportamentos de risco ao longo dos anos.

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“Apesar da redução no consumo de tabaco, que é um fator clássico para esses cânceres, essas mudanças podem ter beneficiado mais os homens brancos em grandes centros, enquanto mulheres e grupos sociais menos favorecidos continuam expostos a riscos”, explica a oncologista Ludmila Koch, do Einstein Hospital Israelita.

Tendências Regionais e Impactos Sociais

No Sudeste, houve uma diminuição de cerca de 40% no risco relativo de morte por câncer de cavidade oral entre homens. Em contrapartida, no Nordeste, foi observada uma tendência de aumento na mortalidade por todos os tipos de câncer analisados, afetando ambos os gêneros e todas as idades.

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Essas mudanças podem ser atribuídas a fatores como desigualdade no acesso à saúde e determinantes sociais, como renda e escolaridade. “Regiões com menor desenvolvimento econômico e cobertura de serviços de saúde têm menos rastreamento e tratamento eficaz, resultando em diagnósticos tardios e piores prognósticos”, afirma Ludmila Koch.

Transformações no Perfil Epidemiológico

O câncer de cabeça e pescoço apresentou mudanças relevantes em seu perfil epidemiológico nas últimas décadas. Embora o câncer de laringe continue sendo o mais letal, os dados indicam alterações nos padrões de risco e hábitos da população, impactando diferentes subtipos da doença.

A médica ressalta que a ideia de que o câncer de cabeça e pescoço é uma doença exclusiva de homens tabagistas pode prejudicar a identificação em outros grupos. “Essa visão pode atrasar a suspeição clínica em mulheres e a investigação adequada em populações minorizadas”, alerta.

Crescimento dos Tumores de Orofarínge

Outro ponto destacado pelo estudo é o aumento dos tumores de orofaringe no Brasil. Diferentemente de outros subtipos que diminuíram devido a políticas antitabagistas, a mortalidade por câncer de orofaringe continua a crescer, em grande parte devido ao HPV, especialmente o tipo 16.

“Embora o estudo não mensure diretamente o HPV, a tendência de aumento da mortalidade por orofaringe está alinhada com o impacto do vírus observado em outras pesquisas”, afirma Ludmila Koch. Mudanças nos hábitos sociais e comportamentais, como práticas sexuais e infecções persistentes por HPV, podem contribuir para essa tendência.

Sinais de Alerta e Prevenção

De acordo com a SBCCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço), o câncer de cabeça e pescoço abrange tumores malignos em áreas como boca, orofaringe, laringe, nariz e pescoço. Sintomas persistentes devem ser investigados por um médico ou cirurgião-dentista.

Importância da Detecção Precoce

Em 2022, foram registrados 940 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço no mundo. No Brasil, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) estima que, para 2025, surgirão 48.530 novos casos. Para reduzir a incidência e a mortalidade, a SBCCP recomenda hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e atividade física.

Além disso, a vacinação contra o HPV em adolescentes e o fortalecimento da atenção primária são essenciais. O estudo também destaca que regiões com maior cobertura odontológica apresentam menores taxas de mortalidade, pois dentistas podem identificar lesões suspeitas precocemente.

O diagnóstico precoce é crucial para preservar funções essenciais e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, enquanto estágios avançados podem exigir tratamentos mais invasivos e resultar em menor sobrevida.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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