Estudo inovador revela segredos da Balanophora, planta holoparasita que desafia a fotossíntese e redefine o conceito de vegetais. Descubra mais!
Desde as aulas de biologia, sabemos que os cloroplastos são essenciais nas células vegetais, permitindo a fotossíntese. No entanto, algumas plantas, como as do gênero Balanophora, desafiam essa definição. Elas não possuem clorofila e não se reproduzem de forma sexuada, sendo uma das primeiras plantas terrestres a perder completamente a capacidade de fotossíntese.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Essas plantas, conhecidas como holoparasitas, se alimentam das raízes de outras. Recentemente, pesquisadores utilizaram a filogenômica, que combina sequenciamento genético e métodos evolutivos, para mapear a história evolutiva dessas parasitas ao longo de 100 milhões de anos.
O estudo busca entender os componentes que permanecem após a perda da fotossíntese.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Kenji Suetsugu, autor correspondente do estudo e botânico da Universidade de Kobe, no Japão, expressou seu desejo de repensar o que significa ser uma planta. Ele destacou a necessidade de compreender como as diferentes espécies de Balanophora se relacionam entre si.
Os pesquisadores enfrentaram o desafio de integrar três dimensões distintas da planta, que costumam ser analisadas separadamente. O primeiro passo foi estudar a filogenia, coletando amostras de sete espécies em 12 populações nas florestas montanhosas de Taiwan, Okinawa e Japão continental.
O objetivo era reconstruir a árvore evolutiva do grupo e entender as relações entre as espécies. No nível celular, os cientistas analisaram o genoma dos plastídeos, que incluem os cloroplastos. Como a Balanophora não realiza fotossíntese, o foco foi identificar quais genes foram perdidos e quais funções ainda permanecem.
Além disso, a equipe investigou a reprodução e a sobrevivência dessas plantas em ambientes especializados. Petra Světlíková, autora principal do estudo, afirmou que a Balanophora perdeu muitas características que a definem como planta, mas ainda mantém o suficiente para funcionar como parasita.
O DNA dos plastídeos da Balanophora contém apenas cerca de 20 genes, representando 10% do que é encontrado em plantas comuns. Os pesquisadores notaram que, apesar da redução drástica, o genoma ainda é funcional. Suetsugu comentou sobre a surpreendente capacidade de uma planta de reduzir seu genoma plastidial, mantendo funções metabólicas essenciais.
Enquanto a redução dos plastídeos ocorreu uma única vez, a reprodução assexuada surgiu repetidamente no gênero Balanophora. Essa capacidade de produzir sementes sem fertilização facilitou a colonização de novas áreas, como ilhas do Japão e Taiwan.
Durante suas pesquisas, Suetsugu observou que polinizadores inusitados, como grilos-camelo e baratas, ajudam na dispersão de sementes.
Com os avanços na compreensão das plantas não fotossintéticas, Suetsugu planeja novas investigações. Ele pretende conectar genômica e bioquímica para descobrir quais substâncias ainda são produzidas pelos plastídeos e como elas sustentam o crescimento parasitário.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.