Estudo Revela Diferenças Genéticas na Depressão entre Homens e Mulheres
Um novo estudo aponta que as mulheres possuem uma carga genética mais significativa relacionada ao Transtorno Depressivo Maior (TDM) em comparação aos homens. A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália, e publicada na revista Nature Communications em agosto de 2025, analisou mais de 195 mil casos.
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Além disso, pela primeira vez, foi identificada uma variante genética associada à depressão exclusivamente em homens, localizada no cromossomo X, que é herdado da mãe. Os pesquisadores notaram que as variantes que afetam o TDM nos homens são um subconjunto das encontradas nas mulheres, e que o sexo feminino apresenta uma maior sobreposição genética entre a depressão e condições como obesidade e síndrome metabólica.
Implicações Clínicas e Fatores Ambientais
O estudo destaca a importância de análises que considerem as diferenças de sexo e sugere que futuras abordagens clínicas, incluindo novos tratamentos, podem se beneficiar de estratégias que levem em conta as especificidades genéticas de homens e mulheres.
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O psiquiatra Ricardo Jonathan Feldman, do Einstein Hospital Israelita, afirma que a depressão possui uma influência genética e é poligênica, ou seja, vários genes podem afetar o risco de desenvolver o transtorno.
Entretanto, a genética não é o único fator determinante. Feldman ressalta que as mulheres apresentam maior incidência de depressão devido a uma combinação de fatores, incluindo questões ambientais como violência, traumas, desigualdades sociais e influências hormonais.
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Estatísticas globais indicam que as mulheres têm quase o dobro do risco de desenvolver depressão em relação aos homens.
Dados e Diferenças ao Longo da Vida
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 4% da população mundial vive com depressão, totalizando aproximadamente 332 milhões de pessoas. No Brasil, estima-se que 10,2% dos adultos tenham recebido diagnóstico de depressão, com prevalências de 14,7% entre mulheres e 5,1% entre homens.
Uma metanálise de 2017, que envolveu 3,6 milhões de participantes em mais de 90 países, revelou que a diferença de incidência de depressão entre os sexos começa aos 12 anos, atinge o pico na adolescência e se mantém ao longo da vida adulta. Essa disparidade é observada em diferentes formas de diagnóstico e culturas.
Hipóteses e Resultados da Pesquisa
A pesquisa surgiu de um impasse em estudos anteriores que apresentavam conclusões contraditórias sobre o papel da genética nas diferenças entre os sexos. Os autores identificaram quatro hipóteses principais relacionadas ao TDM, incluindo a possibilidade de variantes exclusivas em um dos sexos e o papel do cromossomo X no risco de depressão.
Os resultados mostraram que a maioria das variantes associadas ao TDM é compartilhada entre os sexos, mas não de maneira idêntica. Foram identificadas 16 variantes significativas em mulheres e oito em homens, incluindo a nova variante no cromossomo X, o que reforça a importância de separar as análises por sexo.
Novas Perspectivas para Tratamento
O estudo também revelou padrões que ajudam a explicar características específicas da depressão em mulheres, como correlações mais fortes entre TDM e traços metabólicos. Esses achados podem indicar novos alvos para tratamento, sugerindo que um melhor controle da obesidade e da síndrome metabólica pode contribuir para o manejo da depressão.
Nos homens, o padrão é diferente, com maior incidência de raiva, agressividade e uso de substâncias. Os autores acreditam que integrar descobertas genéticas específicas por sexo na prática clínica pode levar a estratégias diagnósticas e terapêuticas mais personalizadas para o TDM no futuro.
