Estudo da CNC Revela Impactos da Redução da Jornada de Trabalho
Um novo estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), divulgado nesta segunda-feira (23), aponta que a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 podem gerar impactos bilionários nos setores de comércio e serviços.
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A CNC estima que os custos operacionais aumentariam, resultando em um acréscimo de até 13% nos preços finais ao consumidor.
Os gastos adicionais para o comércio, segundo a CNC, podem alcançar R$ 122,4 bilhões anualmente após a implementação das novas regras. O impacto médio nas folhas salariais do setor comercial seria de 21% devido ao aumento das despesas. No setor de serviços, a pressão econômica pode ser ainda mais significativa, com uma estimativa de R$ 235 bilhões.
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Setor de Turismo e Desafios de Adaptação
O segmento mais afetado por essas mudanças seria o turismo, onde os custos poderiam aumentar em cerca de 54%. A CNC ressalta que a estrutura desse setor dificulta adaptações, já que não é viável automatizar completamente os serviços. O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, destaca que a operação no turismo é intensiva em mão de obra e qualquer rigidez na jornada pode comprometer a qualidade do serviço.
“No turismo, não existe operação totalmente eletrônica. Qualquer rigidez na jornada compromete a oferta e a qualidade do serviço”, afirma Bentes, que liderou o estudo.
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Impacto no Emprego e Necessidade de Qualificação
O levantamento da CNC também indica que a redução da jornada pode resultar em uma diminuição de cerca de 631 mil vagas formais no médio prazo. Contudo, a possibilidade de os trabalhadores atuarem menos dias por semana pode gerar a necessidade de novas contratações, com uma demanda estimada de mais de 980 mil novos empregados para manter os horários atuais.
Entretanto, a CNC alerta para a falta de mão de obra qualificada e o aumento dos custos com essas novas contratações. “Um choque no custo do comerciante será repassado para o preço. Isso pode gerar empregos a um custo maior em um ambiente de escassez de mão de obra”, explica Bentes.
Negociação Coletiva e Propostas no Congresso
Para o economista-chefe da CNC, as diferenças operacionais entre os setores exigem uma “negociação coletiva” para definir as reduções de jornada, em vez de regras gerais impostas por lei. “Impor rigidez agora pode desorganizar setores inteiros, especialmente no comércio e turismo”, adverte.
Atualmente, três PECs (Proposta de Emenda à Constituição) sobre a redução da jornada de trabalho estão em discussão no Congresso. A proposta mais antiga, do Senado, prevê uma redução imediata para 40 horas semanais, com uma nova queda escalonada para 36 horas em quatro anos.
Outra proposta na Câmara implementa a jornada 4×3 sem transição, enquanto uma terceira, que tramita desde 2019, sugere uma diminuição gradual da jornada atual de 44 horas semanais para 36 horas em um período de 10 anos.
