Uma professora surpreende alunos ao “conversar” com Napoleão Bonaparte usando inteligência artificial. Descubra os detalhes dessa aula inovadora!
Uma professora de história, Ana Paula Aguiar, fez perguntas intrigantes a Napoleão Bonaparte, utilizando uma inteligência artificial. As indagações, que poderiam parecer um devaneio, foram feitas em uma aula do segundo ano do ensino médio em outubro de 2025, a pedido da CNN Brasil.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Os alunos tiveram a oportunidade de “conversar” com o imperador francês e também com Getúlio Vargas, sob supervisão da professora.
O resultado foi surpreendente. Napoleão (1769-1821) se mostrou bastante expressivo, utilizando frases como “Très bien, mademoiselle” e “C’est la guerre!”. A IA demonstrou potencial para aprendizado, desde que utilizada de maneira responsável, complementando o ensino tradicional, que nunca deve ser substituído.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A professora Ana Paula iniciou a interação com um comando simples e logo percebeu a capacidade da IA de refinar o pedido. Ela se surpreendeu quando a ferramenta questionou se desejava conversar com um Napoleão do século XIX ou com um que estivesse ciente do mundo contemporâneo.
Essa habilidade de ajuste foi um dos aspectos mais interessantes da experiência.
Ao questionar a IA sobre o governo do Diretório, a resposta refletiu discursos autênticos de Napoleão, abordando a instabilidade política da época. Embora a resposta tenha sido um tanto mecânica, apresentou coerência. Em outra ocasião, ao perguntar sobre a invasão à Rússia, a IA respondeu de forma evasiva sobre o czar Alexandre I, destacando os desafios do vasto império russo.
A professora observou que, ao tratar de temas mais específicos, seu conhecimento histórico permitiu que ela contestasse algumas respostas da IA. Ela acredita que um estudante sem esse domínio poderia ser facilmente convencido pelas respostas geradas pela ferramenta.
A interação com figuras como Chiquinha Gonzaga (1847-1935) e Tarsila do Amaral (1886-1973) também revelou que, apesar das respostas da IA serem corretas, elas podiam soar genéricas. Ana Paula destacou uma resposta problemática de Tarsila sobre sua prisão em 1933, que extrapolava o que a artista provavelmente diria.
Um ponto de virada na aula ocorreu quando um aluno, Pedro, fez perguntas mais direcionadas a Getúlio Vargas. A interação se tornou mais orgânica e coerente, permitindo uma análise crítica das respostas. Ana Paula concluiu que a ferramenta é mais eficaz quando utilizada por alunos que já dominam os conteúdos históricos e sabem formular bons comandos.
O professor John Paul Hempel Lima, especialista em inteligência artificial, reconhece a eficácia das IAs generativas, mas alerta para a necessidade de cautela quanto à criatividade da ferramenta. Ele enfatiza que a introdução de criatividade pode resultar em respostas imprecisas, destacando a importância de formular perguntas detalhadas para evitar informações enviesadas.
John sugere que, ao interagir com personalidades históricas, o prompt deve ser claro e estabelecer limites. Ele acredita que a IA pode ser uma ferramenta poderosa para gerar novas questões e formas de avaliação, permitindo que os alunos explorem o conhecimento de maneira mais dinâmica.
No campo da literatura, a interação com personagens, como Capitu de “Dom Casmurro”, também apresenta desafios. O professor Leandro Lacerda explica que a IA pode oferecer respostas plausíveis, mas nunca será a resposta exata do autor. Ele sugere que alimentar a IA com o texto original pode resultar em análises mais fidedignas.
Além disso, direcionar a análise com viés psicológico pode enriquecer a qualidade das respostas. Lacerda também menciona a importância de considerar a mentalidade da personagem, que pode ser vista de diferentes formas dependendo do contexto histórico e das referências utilizadas.
Para garantir interações produtivas com a IA, o professor John recomenda um prompt estruturado que estabelece regras claras. O prompt deve incluir diretrizes sobre fidelidade histórica, estilo de fala e propósito educacional, assegurando que a IA responda de maneira precisa e informativa.
Um exemplo de abertura para uma conversa com Isaac Newton poderia ser: “Saudações, jovem estudioso. Sou Isaac Newton, e minha mente ainda repousa sob a maçã que um dia me fez pensar sobre a gravidade. Diga-me, o que deseja compreender hoje sobre as forças que regem o universo?”
Autor(a):
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.