Protestos no Irã ganham força após a morte da estudante Robina Aminian, de 23 anos, em manifestações contra o regime. A luta pela liberdade continua!
Robina Aminian, uma estudante de 23 anos da Universidade de Teerã, sonhava em se mudar para Milão para seguir carreira na moda. Em sua conta no Instagram, ela exibia com orgulho trajes tradicionais curdos. Na quinta-feira (8), Aminian deixou a Universidade Técnica Shariati, onde estudava design de moda, para participar de um protesto contra o regime na capital, conforme relatado pela ONG de direitos humanos IHRNGO, com sede na Noruega.
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Seu tio, Nezar Minouei, descreveu Aminian como uma jovem forte e corajosa, que não se deixava controlar. “Ela lutou por aquilo que acreditava ser certo e tinha sede de liberdade e pelos direitos das mulheres”, afirmou. Infelizmente, durante o protesto, Aminian foi morta por disparos, segundo a organização de direitos humanos Hengaw.
Apesar de um apagão de internet que durou dias, a CNN conseguiu obter informações sobre algumas das vítimas iranianas enquanto as forças de segurança intensificavam a repressão contra os protestos anti-governo. Nos últimos 15 dias, mais de 490 manifestantes foram mortos, incluindo oito crianças, conforme levantamento realizado por Skylar Thompson, diretor-adjunto da HRA no Irã.
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Testemunhas relataram que as forças de segurança estavam armadas e disparando contra os manifestantes. Duas pessoas em Teerã, que pediram anonimato, afirmaram ter visto muitas mortes durante os confrontos. Uma testemunha relatou ter visto “corpos empilhados” em um hospital.
A família de Aminian enfrentou cenas devastadoras ao tentar recuperar seu corpo. Após viajar de Kermanshah a Teerã, o pai de Aminian encontrou o corpo da filha entre outros jovens, todos com ferimentos fatais. “Quase todos haviam sido baleados na cabeça e no pescoço”, disse Minouei.
As autoridades inicialmente se recusaram a devolver o corpo, e quando a família finalmente conseguiu, foi forçada a enterrá-la sem cerimônia. “Estamos de coração partido, mas nossa cabeça está erguida porque nossa menina foi martirizada pela liberdade“, declarou o tio.
Os protestos se espalharam por mais de 180 cidades no Irã, impulsionados por condições econômicas difíceis. Manifestantes enfrentam riscos extremos, incluindo a morte por disparos ou acusações de “moharebeh”, que pode resultar em pena de morte.
Em Kermanshah, Ebrahim Yousifi, um pai de três filhos, foi baleado na cabeça durante os protestos. Seu primo relatou que a comunicação com parentes no exterior foi severamente afetada pelo apagão de internet, dificultando a confirmação sobre o corpo de Yousifi.
Várias vítimas dos protestos em Azna, na província de Lorestan, também estão sendo identificadas. O cabeleireiro Shayan Asadollahi foi morto em 1º de janeiro, e o jovem Reza Moradi Abdolvand, de 17 anos, caiu em coma após ser atingido e faleceu dias depois.
Ahmadreza Amani, de 28 anos, que estava em treinamento para se tornar advogado, teve seu corpo enterrado pelo governo quatro dias após o protesto. A CNN não conseguiu verificar essas informações devido ao apagão de comunicações em curso no Irã.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã foi contatado para comentar sobre os casos.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.