Estados Unidos propõem tarifas adicionais para combater trabalho forçado em 60 economias

Estados Unidos Propõem Tarifas Adicionais em Resposta ao Trabalho Forçado
No comunicado que sugere tarifas adicionais de 12,5% e 10% sobre 60 economias, os Estados Unidos afirmam que essas nações não conseguem impor e fiscalizar de maneira eficaz a proibição da importação de bens produzidos com trabalho forçado. O governo norte-americano considera esses atos como irrazoáveis, sobrecarregando ou restringindo o comércio dos EUA.
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A recomendação para a imposição de tarifas se fundamenta na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que visa combater práticas estrangeiras injustificáveis, irrazoáveis ou discriminatórias que impactem o comércio americano.
Em março de 2026, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) deu início a 60 investigações comerciais, que resultaram na recomendação atual. O USTR apresentou algumas justificativas para essa determinação, destacando que as falhas são vistas como “irrazoáveis”.
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De acordo com o órgão, essas ações comprometem o objetivo global de erradicar o trabalho forçado e permitem que empresas utilizem essa prática para reduzir custos, distorcendo o mercado.
Impactos do Trabalho Forçado no Comércio
Além disso, o USTR argumenta que o trabalho forçado prejudica a lucratividade de empresas que não recorrem a esse tipo de mão de obra, contribui para a evasão de proibições já existentes e sujeita os produtores dos EUA a uma concorrência desleal, tanto no mercado interno quanto em mercados de exportação.
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O USTR concluiu que as 60 economias falharam em impor ou fiscalizar proibições contra bens produzidos com trabalho forçado. Como consequência, o órgão propõe tarifas adicionais sobre todos os produtos dessas economias investigadas.
Para as economias que impõem uma proibição à importação de produtos oriundos de trabalho forçado e que se comprometeram a fazer cumprir essa proibição, o USTR sugere uma alíquota de 10% para as tarifas adicionais. Isso inclui países como Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia.
Para as demais economias, a proposta é de uma alíquota de 12,5%, abrangendo Brasil, Argentina, China, Japão, Reino Unido, Rússia, entre outros.
Definição de Trabalho Forçado
O Representante Comercial dos EUA também sugere um mecanismo têxtil que permitiria a entrada nos Estados Unidos de um volume específico de importações de vestuário e têxteis de certas economias, com uma alíquota tarifária reduzida da Seção 301.
O que caracteriza o trabalho forçado, conforme explica a analista internacional da CNN, Fernanda Magnotta, é qualquer trabalho ou serviço exigido de uma pessoa sob ameaça, coerção ou punição, para o qual ela não tenha se oferecido voluntariamente.
Magnotta detalha que a coerção pode incluir violência, retenção de documentos, ameaças, restrição de liberdade ou servidão por dívida. O ponto central é a impossibilidade do trabalhador deixar a atividade livremente. Em relação à classificação dos EUA, a analista observa que, no contexto do documento divulgado, “não parece claro quais critérios ou parâmetros são adotados para estabelecer referências laborais objetivas do que é aceitável ou não, parecendo mais generalizações que visam o modo de produção chinês”.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



