Estados Unidos e Irã divulgam memorando de entendimento e professor analisa eficácia do acordo

A análise do professor Sandro Teixeira Moita destaca a falta de entusiasmo em relação ao acordo, refletindo a complexidade das relações entre os países

Presidente dos EUA, Donald Trump

O memorando de entendimento assinado entre Estados Unidos e Irã foi oficialmente divulgado, suscitando diversas análises sobre sua real eficácia. Em entrevista ao WW, Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), compartilhou sua avaliação sobre o documento.

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Segundo ele, a postura de Donald Trump indica que o acordo provisório é, na prática, uma “aposta”. Moita observou que os 14 pontos apresentados no acordo diferem em alguns aspectos do que vinha sendo noticiado pelas mídias iranianas, como as agências Fars e Merkel, ligadas à Guarda Revolucionária, mas não se afastam significativamente dos termos anteriormente afirmados pelo governo iraniano.

A falta de entusiasmo em relação ao acordo

O professor ressaltou que não há grande empolgação nem na região do Oriente Médio nem nos próprios Estados Unidos em relação ao novo acordo. Durante um evento fechado sobre a crise, Moita ouviu uma frase que sintetiza bem o atual cenário: “Em fevereiro, os Estados Unidos tentaram bombardear o Irã para promover uma mudança de regime; desde domingo, estão tentando conquistar o Irã por meio de incentivos financeiros para essa mudança.” Essa análise reflete a complexidade da situação política entre os dois países.

Moita também destacou uma declaração feita por Trump durante uma coletiva em Evian, na França. O ex-presidente afirmou que se o acordo fosse bem-sucedido, o crédito seria dele, mas se falhasse, a responsabilidade recairia sobre outros. “Essa declaração mostra a natureza arriscada da abordagem de Trump e como ele vê esse acordo como uma aposta”, comentou o professor.

Consequências políticas para o Irã

De acordo com Moita, o novo acordo pode diminuir a capacidade americana de dissuasão através da pressão militar. Ele argumentou que figuras influentes no Irã, como Mohammad Bagher Ghalibaf e Ahmad Vahid, além do círculo próximo ao líder supremo Ali Khamenei, se tornaram mais resilientes após sobreviverem a um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel. “Se eles conseguiram resistir à força militar da maior potência global e regional, não há mais como o Irã ser pressionado de forma eficaz”, afirmou.

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O professor analisou ainda que a hesitação de Trump em intensificar ações militares acabou por encorajar o Irã a adotar uma postura mais firme nas negociações. Apesar das dificuldades enfrentadas pelo regime iraniano — incluindo uma guerra prejudicial em junho do ano passado e protestos internos — Moita acredita que o país conseguiu obter uma vitória político-ideológica significativa. “Talvez esta seja a conquista mais valiosa para eles”, disse.

Essa nova dinâmica poderá oferecer ao regime iraniano uma sobrevida caso os recursos prometidos pelo governo Trump se concretizem. O impacto deste memorando pode ser profundo nas relações internacionais e na estabilidade da região nos próximos meses.

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