Christopher Garman afirma que os EUA não devem repetir ações militares na América Latina, apesar das ameaças de Donald Trump após a captura de Maduro
De acordo com Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, é improvável que os Estados Unidos realizem ofensivas militares semelhantes à da Venezuela em outros países. Garman destaca que, apesar das ameaças de Donald Trump, as situações em outros países sul-americanos são bastante distintas da venezuelana.
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Após a operação que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro no último sábado (3), Trump fez advertências ao México e à Colômbia. O ex-presidente alegou, sem apresentar provas, que cartéis de drogas dominavam o território mexicano, desconsiderando a presidente Claudia Sheinbaum, com quem mantém um bom relacionamento.
Em relação ao presidente colombiano Gustavo Petro, Trump insinuou a possibilidade de uma ação militar contra ele.
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Garman ressalta que, em cada um desses casos, é difícil imaginar uma ação militar, especialmente com as eleições na Colômbia se aproximando, que podem resultar na eleição de um governo de direita. No contexto da Venezuela, Maduro era visto como um ditador isolado, sem apoio popular significativo.
Além disso, Garman menciona que a situação na região é influenciada por interesses do governo brasileiro em reduzir tarifas americanas impostas em julho. Mesmo sem novas intervenções militares, Washington considera a América Latina uma prioridade estratégica, com a operação na Venezuela fazendo parte de uma abordagem mais ampla.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, sua administração tem pressionado o Panamá a diminuir a presença da China no canal do Panamá e impôs tarifas ao Brasil, além de sancionar autoridades brasileiras. Segundo Garman, isso evidencia o interesse dos Estados Unidos em manter uma forte influência na América Latina.
O documento de Segurança Estratégica Nacional (NSS) divulgado recentemente reflete essa estratégia. Trump se referiu a essa abordagem como “doutrina Donroe”, em alusão à antiga doutrina Monroe, que defendia a influência direta de Washington sobre a América Latina.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.