Relação entre Europa e Estados Unidos sob a ótica de especialista
A relação entre a Europa e os Estados Unidos tem sido marcada por uma evidente submissão do continente europeu às demandas americanas, especialmente durante a presidência de Donald Trump. Essa análise é feita pelo professor Marcus Vinícius de Freitas, da China Foreign Affairs, ao discutir um possível acordo entre o presidente dos EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a Groenlândia.
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Freitas observa que essa situação é “muito triste para os europeus”, pois revela a sua posição de vassalagem em relação aos Estados Unidos e a Trump. O professor ressalta que a Europa tem sido tratada de maneira a se comportar conforme os interesses americanos, seja em relação ao aumento de tarifas ou em outras questões.
Ele menciona que a Europa é utilizada como “a grande espada, a guilhotina”, sempre presente quando Trump busca obter algo dos europeus, que, invariavelmente, acabam cedendo.
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Além disso, o especialista aponta que os países europeus perderam parte de sua soberania com a instalação de bases militares americanas em seus territórios. A “russofobia”, segundo Freitas, tem dificultado a negociação adequada com a Rússia, o que contribui para os problemas relacionados à Ucrânia.
Mudanças na ordem mundial
Em relação ao atual cenário geopolítico, Freitas destaca que o mundo está passando por uma ruptura, não apenas uma transição. Ele explica que, após a Guerra Fria, quando os Estados Unidos eram a potência hegemônica, essa situação começou a se deteriorar a partir dos anos 2000, especialmente após os ataques de 11 de setembro e a crise econômica de 2007.
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Simultaneamente, a China começou a se afirmar como um competidor global, capaz de desafiar os interesses americanos. Freitas enfatiza que a China se apresenta com um grande poder econômico, crescendo sem recorrer à força militar. O professor menciona que um ponto de virada nas relações internacionais ocorreu durante uma reunião na Coreia, quando Trump pediu aos chineses que continuassem a vender metais raros.
A partir desse momento, houve um reconhecimento de que “o mundo não é mais unipolar”, e que os Estados Unidos agora compartilham o cenário global com a China de maneira mais clara. No entanto, ações recentes dos EUA no Irã e na Venezuela teriam proporcionado ao país um senso de empoderamento militar, levando Trump a agir “não mais como um chefe de Estado, mas como um gângster global”, ameaçando atacar aqueles que não obedecem às suas ordens.
