Espanhóis reprovam atuação de Sánchez na crise em Ceuta, aponta pesquisa

Levantamento aponta avanço de PP e Vox, queda do PSOE e apoio majoritário a controles de fronteira mais rígidos após a crise migratória.

07/09/2026 09:41

4 min

Manifestantes em Ceuta exigem que migrantes deixem o enclave espanhol
Manifestantes em Ceuta exigem que migrantes deixem o enclave esp...

Pesquisa divulgada nesta segunda – feira (7) mostra que 89% dos espanhóis responsabilizam o Marrocos pela travessia em massa de migrantes para Ceuta no final de julho. O levantamento também indica reprovação à condução da crise pelo primeiro – ministro Pedro Sánchez e redução do apoio ao PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol.

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Realizado pelo instituto 40dB com 2 mil pessoas para o jornal “El País” e a emissora de rádio SER, o estudo apontou avanço do Partido Popular e do Vox, partido de direita e anti – imigração. A pesquisa acompanha a tendência identificada em outros levantamentos feitos depois da onda de travessias na fronteira do enclave espanhol no norte da África.

Pesquisa mostra avanço da direita na Espanha

Apenas 14,2% avaliaram de forma positiva a atuação de na crise. Dois terços dos participantes consideraram que a resposta foi lenta demais. Na prática, o resultado reforçou a percepção de descontentamento com o governo.

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A soma das intenções de voto do Partido Popular e do Vox chegou a 50,2%. Foi a primeira vez, durante esta legislatura, que uma possível aliança entre os dois partidos de direita ultrapassou 50% em uma pesquisa de opinião. O bloco de centro – esquerda, por outro lado, ficou com 36,1%.

O PP passou de 32% para 32,4% na comparação com o levantamento anterior da 40dB, realizado em julho. O Vox avançou de 17,2% para 17,8%, enquanto o Partido Socialista de Sánchez recuou de 28% para 27,6%.

Na avaliação sobre a capacidade de lidar com a questão da, 27% escolheram o Vox. O partido ficou à frente dos socialistas, com 18,4%, e do PP, com 13,9%. Também houve apoio expressivo a medidas mais rígidas: sete em cada 10 entrevistados preferiram controles de fronteira mais severos à proteção de migrantes vulneráveis, e 82% defenderam mais cercas e vigilância nas fronteiras da Espanha.

Moradores de Ceuta temem retorno à rotina

Um mês depois da migração em massa, a retomada das aulas preocupa os moradores de Ceuta, cidade espanhola no norte da África com 83 mil habitantes. O calendário escolar prevê o início do ano letivo para 8 de setembro, mas a tensão permanece desde o final de julho, quando cerca de 70 mil migrantes cruzaram irregularmente a fronteira do Marrocos.

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“É caótico, inseguro, estamos com medo e está piorando”, afirmou Marina Rovira, moradora de Ceuta, à CNN. Mãe de duas meninas e um menino entre 3 e 7 anos, ela questiona se deve enviar os filhos à escola diante da insegurança e da presença de soldados e policiais na cidade.

Um dos episódios mais tensos ocorreu na última quinta – feira (27). Manifestantes contrários ao fluxo migratório tentaram impedir a distribuição de alimentos da Cruz Vermelha aos recém – chegados, enquanto outros pelos migrantes em uma praia local.

O episódio ocorreu apesar do forte contingente de .

Rovira criou uma petição no Changeorg para pedir que o governo mantenha as escolas de Ceuta fechadas até a cidade recuperar a normalidade. Até o momento, a iniciativa havia reunido mais de 5.500 assinaturas, muitas delas de pais que, segundo ela, compartilham a preocupação sobre a segurança dos filhos.

O Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto informou que reforçará a presença policial nas proximidades para proteger as crianças no transporte escolar e na entrada das escolas. A medida, porém, não foi suficiente para tranquilizar Rovira e outros responsáveis.

Governo é pressionado a acelerar medidas

As críticas também chegaram ao campo político. A oposição acusa e o restante do governo de inação e má gestão da crise migratória. Alberto Núñez – Feijóo, líder do Partido Popular, afirmou que o governo estava ausente e “em recesso” diante de uma crise de “magnitude sem precedentes”.

Pedro Sánchez reconheceu a dimensão da situação em entrevista concedida na segunda – feira (31) à rádio nacional Cadena Ser. Foi a primeira entrevista dele desde a chegada dos migrantes que cruzaram a fronteira entre 30 e 31 de julho.

“Assumimos a responsabilidade, eu inclusive, pela situação em Ceuta”, declarou Sánchez. Ele também disse acreditar que “Ceuta sairá dessa situação muito mais forte”, embora a solução dependa da definição da situação administrativa dos quase 5.000 migrantes, que precisam ser acolhidos ou devolvidos conforme cada caso.

O prefeito – presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirmou que o processo não avançava na velocidade necessária. Em 20 de agosto, disse que entre 25 e 30 casos de retorno eram processados ​​diariamente e alertou que, nesse ritmo, o número de pessoas que chegaram a em pelo menos um ano não conseguiria sair.

Vivas pediu mais recursos e capacidade ao governo. Sánchez reconheceu estar “muito consciente de que todos os recursos são insuficientes”, mas afirmou que as autoridades atuam “de acordo com a lei” e respeitam a “dignidade humana”. Ele disse ainda confiar na conclusão do trabalho administrativo “dentro de prazos razoáveis” e afirmou: “Vamos tentar agilizá – lo ao máximo”.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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