Escritor da Globo enfrentou censura para desenvolver uma trama sobre alcoolismo, com 41 anos de duração

Um jornalista da Globo se esforçou para abordar o tema do alcoolismo em sua novela, diante da censura.

16/09/2025 11:19

2 min

Escritor da Globo enfrentou censura para desenvolver uma trama sobre alcoolismo, com 41 anos de duração
(Imagem de reprodução da internet).

Em 1981, Livre Para Voar estreou na Globo, sendo uma das últimas produções a exibir-se durante o período da Ditadura Militar (1964 – 1985) no Brasil e sujeita à censura. O autor buscou apresentar a história do alcoolismo através do personagem Álvaro, e a trama enfrentou dificuldades.

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História sem conteúdo?

Segundo o livro de Ismael Fernandes (Memória da Teledramaturgia Brasileira), a história não contribuiu para alcançar grande popularidade. Ele criticou: “O eixo central da trama era instável, vulnerável. Ele – Pardal (Tony Ramos) – vivendo de forma irregular e protegendo um adolescente desacompanhado – Gibi (Fernando Almeida). Ela – Bebel (Carla Camuratti) – trabalhando em sua própria empresa disfarçada de jovem barista.”

Com Tony Ramos e Carla Camurati como protagonistas, ambos mantinham segredos e identidades ocultas. A personagem feminina investigava a fidelidade de seus colaboradores, enquanto Pardal escondia um delito que praticara em outra região.

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A emissora tentou estabelecer uma narrativa.

Ainda sob análise censura, uma trama quase foi interrompida. O personagem Álvaro, de Edney Giovenazzi, apresentava dificuldades com o consumo de álcool. Cláudio Ferreira, pesquisador, escreveu no livro Beijo Amordaçado: “Os produtores solicitaram revisão em cortes feitos em quatro capítulos e argumentaram: o propósito da história é transmitir uma mensagem positiva contra o vício em beber”. Para liberar a trama, o autor e os produtores precisaram combater a censura e demonstrar a relevância da narrativa. Nilson Xavier, do Teledramaturgia, explicou que um dos argumentos utilizados foi que Walther contou com a ajuda dos Alcoólicos Anônimos (AA) para fornecer informações precisas. O jornalista também revelou que Negrão precisou prestar esclarecimentos por telefone e detalhar o desfecho de Álvaro. No final do processo, a trama foi autorizada.

A história teve o retorno mais rápido para uma exibição novamente: encerrou-se em abril de 1985 e retornou um ano e seis meses depois para o Vale a Pena Ver de Novo.

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Fonte por: Contigo

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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