Escassez de microprocessadores impacta vendas de celulares, afetando Qualcomm e Arm Holdings. Executivos alertam sobre desafios e novas oportunidades no setor.
Executivos e analistas alertaram na quarta-feira (4) que a falta de microprocessadores de memória impactará as vendas de celulares por um período, prejudicando empresas como Qualcomm e Arm Holdings. Ambas as companhias divulgaram resultados que não atenderam às expectativas dos investidores, resultando em uma queda de mais de 8% nas ações da Qualcomm por volta das 17h40, horário de Brasília.
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As ações da Arm, por sua vez, apresentaram uma leve alta após uma queda inicial de 3% nesta quinta-feira (5).
O presidente-executivo da Qualcomm, Cristiano Amon, destacou em uma teleconferência que a escassez de memória e o aumento de preços devem moldar o desempenho da indústria de celulares ao longo do ano fiscal. “Infelizmente, todo o setor está sendo afetado”, afirmou Amon.
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A Arm, que projeta a arquitetura de muitos chips para smartphones, enfrenta uma perspectiva de receita de royalties reduzida devido à queda nas vendas de microprocessadores para dispositivos móveis.
Segundo o diretor financeiro da Arm, Jason Child, as receitas de royalties da empresa podem ser impactadas em até 2% devido à escassez de chips de memória. Os executivos da Qualcomm indicaram que essa situação pode persistir até o final do ano fiscal atual, com possíveis efeitos prolongados até 2027.
Em dezembro, analistas da Morningstar já previam que a escassez de microprocessadores de memória continuaria até 2027, uma expectativa que também foi reforçada por analistas do JPMorgan.
As vendas globais de chips avançados para smartphones devem sofrer uma queda de 7% em 2026, em parte devido ao aumento dos preços da memória, conforme dados da Counterpoint Research. Analistas do JPMorgan projetam uma queda de dois dígitos nas vendas globais de smartphones, já que o aumento dos custos de memória afeta a demanda por dispositivos de médio e baixo custo.
O mercado também prevê que o aumento nos preços dos chips de memória impactará negativamente as perspectivas de outros produtos eletrônicos de consumo. Zavier Wong, analista da eToro, comentou que os resultados refletem tendências amplas do setor, e não problemas específicos da Qualcomm, que enfrenta as mesmas restrições de memória que afetam a cadeia de suprimentos de smartphones.
Para mitigar esses desafios, Qualcomm e Arm têm buscado diversificar suas operações, explorando o mercado de data centers, que apresenta crescimento e margens mais elevadas. Amon afirmou à Reuters que não espera que a escassez global de chips de memória atrapalhe o lançamento de processadores de IA para data centers, previsto para o segundo semestre deste ano, com receitas significativas a partir do ano fiscal de 2027.
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Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.