Escândalos e Deslegitimação: A Mídia Destrói a Política Brasileira?

Corrupção e Política: Uma Teia de Deslegitimação?
A mídia, como a TV Globo, expõe casos de corrupção e desestabiliza o cenário político nacional. O neoliberalismo reduz a política a um apêndice da economia. Saiba mais!

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Desconstruindo o Poder Político: Um Olhar Crítico

Nos últimos anos, tem havido um esforço notável para desqualificar o papel político, reduzindo-o à ideia de fomentador da criminalidade, desvios na Justiça e da vida pública. Essa desconstrução é alimentada por uma mídia acrítica, que se engaja em campanhas para desgastar o Estado, o setor público, as estatais e a representação popular.

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A mídia brasileira, como a da TV Globo, frequentemente demonstra essa postura politizada, refletindo uma lógica comercial que, estruturalmente, favorece a despolitização.

O Neoliberalismo e a Redução da Política

O projeto neoliberal, como analisa Pierre Dardot e Christian Laval, representa uma “nova razão do mundo”, uma racionalidade que generaliza a lógica da concorrência e da empresa para todas as esferas da vida. Do ponto de vista de Pierre Bourdieu, o neoliberalismo busca reduzir a autonomia do campo político, transformando-o em mero apêndice da gestão econômica.

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A política deixa de ser o espaço de decisões sobre o bem comum e passa a ser vista como a administração de “leis naturais” do mercado.

A Mídia como Instrumento de Deslegitimação

Bourdieu analisa como o campo jornalístico exerce um poder de censura invisível sobre outros campos, incluindo o político. A mídia que consumimos diariamente não é necessariamente aquela que defende um partido específico, mas aquela que opera sob uma lógica comercial que, estruturalmente, afasta o debate aprofundado de ideias.

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Critérios como o espetáculo, o escândalo e o factual tendem a favorecer a banalidade e a fofoca, porque são o que vende, e não exigem esforço intelectual do espectador.

Exemplos e Paradoxos Políticos

O efeito de “halo” observado na TV Globo, por exemplo, consiste em generalizar um caso de corrupção para todo o mundo da política. Essa prática cativa a corrupção, entedia a política e a torna menos atraente. A história de figuras como Collor e Fernando Collor de Mello, eleitos após escândalos de corrupção, ilustra esse paradoxo: ambos foram considerados “outsiders” confiáveis, mas acabaram encarcerados por crimes contra o Estado.

Essa desqualificação do fazer político, paradoxalmente, é um ato político em si, uma luta para impor uma nova definição do que é legítimo.

Ressignificando a Participação Política

Para recuperar a política, é preciso desmascarar a crítica neoliberal como estratégia de dominação e reafirmar o valor da política no sentido arendtiano: como o único espaço onde podemos decidir um futuro coletivo que não seja apenas a soma dos nossos interesses privados. É fundamental que candidatos e eleitores estejam conscientes dessa complexa dinâmica, especialmente em momentos eleitorais como o presente no Brasil.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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