Equipes de resgate não encontram sinais de presença humana em túnel no Nepal

As buscas seguem por 933 trabalhadores desaparecidos em 11 projetos hidrelétricos, enquanto água, lama e túneis extensos dificultam o resgate no Nepal.

Rua coberta de lama no distrito de Nuwakot, Nepal, em 26 de agosto de 2026. Uma enorme inundação e deslizamento de terra na fronteira entre o Nepal e o Tibete matou centenas de pessoas.

Equipes de emergência que procuram trabalhadores desaparecidos em túneis de Rasuwa, no Nepal, não encontraram “sinais de presença humana” no projeto hidrelétrico de Rasuwagadhi, perto do rio Bhote Koshi. A vistoria ocorreu nesta segunda – feira (31), após as enchentes catastróficas que inundaram estruturas subterrâneas da região.

Engenheiros liderados pelo Exército do Nepal chegaram à “parte mais interna” do túnel e usaram um drone para sobrevoar o interior. Mesmo assim, o gabinete do primeiro – ministro informou que não foi encontrado “ninguém” no local.

Buscas enfrentam túneis inundados e lama

Os túneis de projetos hidrelétricos do norte do Nepal ficaram submersos depois das fortes enchentes da semana passada. A água levou uma grande quantidade de sedimentos e lama para as estruturas, dificultando a entrada das equipes de resgate.

Equipes especializadas lideram agora a procura por 933 trabalhadores que continuam desaparecidos. Uma lista compilada pela Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal (IPPAN) no sábado apontou que 11 projetos hidrelétricos foram afetados pelas enchentes.

Cada usina apresenta obstáculos próprios. Em algumas instalações, os túneis internos têm vários quilômetros, o que pode deixar trabalhadores presos a uma distância considerável da entrada. Salas e outros recursos existentes nesses espaços poderiam, em teoria, ajudar na sobrevivência por semanas.

O fornecimento de ar, porém, é outro possível problema.

Resgate na usina Trishuli 3A exige nova perfuração

Na usina hidrelétrica Trishuli 3A, 42 pessoas foram dadas como desaparecidas. Os socorristas abriram uma grande operação para perfurar um túnel que permita chegar à estrutura e procurar sobreviventes.

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O acesso à casa de força subterrânea tem mais de quatro quilômetros de extensão. Dezenas de pessoas trabalhavam no local quando a enchente atingiu a usina, mas ainda não está claro quanto do percurso foi tomado por água ou lama.

Arnold Dix, geólogo australiano que aconselhou os socorristas na usina Trishuli 3A, afirmou que a distância a ser escavada pode variar bastante. “Então, talvez só tenhamos que escavar 10 metros, ou talvez tenhamos que escavar 100 metros”, disse.

O especialista também apontou riscos para a operação. A sala das turbinas pode ter sido inundada caso os sistemas de desligamento de emergência tenham falhado, o que poderia ter afogado pessoas que estivessem no interior. As perfurações também podem liberar água e ameaçar os próprios socorristas.

Chilime tem túnel bloqueado por sedimentos

Seis pessoas são consideradas desaparecidas dentro da usina hidrelétrica de Chilime, afirmou Jenjen Lama à CNN nesta segunda – feira. Um diagrama compartilhado por ele mostra um túnel de 250 metros que desce a partir da entrada e se conecta a uma estrutura maior, com área de manutenção, sala de controle e transformador.

No domingo, as equipes descobriram que o túnel estava “completamente bloqueado por sedimentos e lama profundos”. O material chegou à altura do peito dos socorristas, que avançaram apenas 130 metros antes de interromper o trabalho.

A infraestrutura danificada também dificulta o pouso de helicópteros na área. Dentro da instalação, há uma cozinha e comida, mas a disponibilidade de oxigênio permanece incerta. “Lá dentro há uma cozinha, há comida… mas não sei quanto ao oxigênio”, disse Lama.

Até 27 usinas hidrelétricas foram danificadas no Nepal, e cerca de 12 foram praticamente destruídas, segundo Arnold Dix.