
O endividamento das famílias brasileiras registrou um aumento de 0,2 ponto percentual em março, alcançando o nível mais alto desde o início da série histórica em 2015. A taxa subiu de 80,2% em fevereiro para 80,4% em março, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
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A CNC alertou que este recorde aponta para desafios nos meses vindouros. Os fatores citados incluem os efeitos do conflito no Oriente Médio, envolvendo EUA, Irã e Israel, e as consequências do aumento do preço do petróleo para o consumidor.
O percentual analisado abrange famílias que possuem dívidas a vencer em diversas modalidades, como cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado, além de prestações de veículos e imóveis.
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O governo (PT) planeja medidas para auxiliar na renegociação dessas dívidas. O novo Desenrola Brasil promete oferecer descontos no saldo devedor e taxas de juros mais acessíveis aos consumidores.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem uma reunião marcada para esta quarta-feira, 7 de abril de 2026, com o presidente para discutir o tema. Segundo o comunicado da CNC, o governo federal reconhece o problema e necessita de solução imediata.
A CNC ressalta que o endividamento deve continuar crescendo até que os efeitos da flexibilização da política monetária atinjam o consumidor final. O Desenrola Brasil, lançado em 2023 e encerrado em março de 2024, permitiu renegociações com descontos, beneficiando especialmente a população de baixa renda.
A alta dos juros e o encarecimento do diesel geram uma “incerteza inflacionária”, segundo a CNC. O aumento dos custos de logística afeta toda a cadeia produtiva, diminuindo o poder de compra e forçando as famílias a recorrerem ao crédito para cobrir despesas básicas.
José Roberto Tadros, presidente da CNC, enfatizou que, embora a redução gradual dos juros tenha começado, o aumento no número de famílias endividadas persiste, pois o alívio do aperto monetário levará meses para ser sentido.
Em relação à inadimplência, a CNC informou que o índice de atraso permaneceu estável em março, atingindo 29,6%. Este valor representa um aumento de 1,0 ponto percentual comparado ao mesmo período do ano anterior, evidenciando o impacto negativo do ciclo de alta da taxa básica de juros, Selic.
As famílias de menor renda, aquelas que ganham até três salários mínimos, apresentaram um controle mais rigoroso da inadimplência no mês, com o percentual de dívidas em atraso caindo de 38,9% em fevereiro para 38,2% em março.
Contudo, a CNC alerta que este grupo continua sendo o mais vulnerável diante do aumento dos preços de mercadorias, especialmente aquelas ligadas aos custos de energia e combustíveis. Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, apontou que o novo ajuste nas expectativas de inflação sugere maior pressão orçamentária para as famílias de menor poder aquisitivo.
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Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.