Emmanuel Macron anuncia oposição ao acordo comercial com o Mercosul, enquanto agricultores protestam em Paris, bloqueando estradas e pontos turísticos.
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra um extenso acordo comercial que a União Europeia pretende firmar com países sul-americanos. A declaração ocorreu enquanto agricultores bloqueavam estradas e pontos turísticos em Paris, como o Arco do Triunfo, em protesto contra o pacto.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Os protestos foram convocados pelo sindicato de direita Coordination Rurale, que expressa preocupações sobre o impacto do acordo de livre comércio com o Mercosul, temendo que isso resulte em uma inundação de importações de alimentos a preços baixos na UE.
Macron, em suas redes sociais, reafirmou que a França se opõe à assinatura do acordo na sexta-feira (9), apesar de promessas da Comissão Europeia.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O presidente francês destacou que a assinatura do acordo não representa o fim da discussão. Ele se comprometeu a lutar pela implementação dos compromissos acordados com a Comissão Europeia, visando proteger os agricultores franceses. O vice-primeiro-ministro irlandês, Simon Harris, também declarou que a Irlanda votará contra o acordo.
Apesar das oposições, a Comissão Europeia parece ter garantido o apoio da Itália, o que aumenta as chances de aprovação do acordo na votação de sexta-feira. O pacto, que conta com o respaldo de países como Alemanha e Espanha, é um tema delicado para o governo francês, especialmente com as eleições municipais se aproximando.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, reiterou que, mesmo que outros membros da UE apoiem o acordo, a França continuará a lutar contra ele no Parlamento Europeu, onde a aprovação é essencial para a implementação do pacto. Nesta semana, a Comissão Europeia propôs um fundo de 45 bilhões de euros para apoiar os agricultores no próximo orçamento do bloco.
Os agricultores também expressaram suas frustrações com os altos custos e a regulamentação excessiva, pedindo o fim de uma política governamental que exige o abate de rebanhos de vacas devido a uma doença bovina. Stephane Pelletier, do Coordination Rurale, comentou sobre o sentimento de abandono em relação ao Mercosul.
Os agricultores conseguiram ultrapassar os postos de controle policial, bloqueando a Champs-Élysées e a área ao redor do Arco do Triunfo antes do amanhecer, reunindo-se em frente à Assembleia Nacional. A presidente da Assembleia, Yael Braun-Pivet, enfrentou vaias ao tentar dialogar com os manifestantes.
Tratores obstruíram rodovias que levam à capital, causando congestionamentos de até 150 km. Mais tarde, agricultores da FNSEA e sindicatos de jovens agricultores se juntaram à manifestação pacífica na Torre Eiffel. Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, afirmou que a importação de produtos que não atendem aos padrões franceses é inaceitável.
O ministro do Interior, Laurent Núñez, informou que novos protestos estão programados para a sexta-feira, mas expressou esperança de que não ocorram episódios de violência, assim como no dia anterior. Ele também mencionou que os tratores já começaram a deixar Paris.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.