Embrapa solicita a presidenciáveis mais recursos e estabilidade para pesquisa agropecuária em 2026
Embrapa destaca a urgência de investimentos para pesquisa agropecuária, visando garantir a sustentabilidade e inovação no setor diante de desafios climáticos.
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) apresentou uma agenda estratégica aos candidatos à Presidência da República, com foco na necessidade de recursos para o setor agropecuário. O documento, divulgado nesta terça – feira (18), não define um valor específico para o próximo governo, mas ressalta a importância de garantir previsibilidade após anos de restrições orçamentárias.
Em 2023, a Embrapa solicitou R320 milhões para recompor seu orçamento discricionário, mas operou com apenas R 170,3 milhões. Para 2026, os recursos disponíveis para custeio em projetos de pesquisa e manutenção atingiram R 371,5 milhões, conforme a Carta Anual da empresa.
A estatal também enfatiza a relevância econômica da pesquisa agropecuária. Em 2025, o agronegócio brasileiro movimentou R 3,20 trilhões, representando 25,1% do PIB (Produto Interno Bruto). Dentro desse contexto, o PIB agropecuário alcançou R 775,3 bilhões.
Segundo dados da Embrapa, cada R 1 investido na instituição gera um retorno de R 27,12 para a sociedade brasileira.
Prioridades para o setor agropecuário
A continuidade dos investimentos em pesquisa é vista como fundamental pela Embrapa. Os resultados dessa pesquisa são construídos ao longo prazo e incluem tanto o desenvolvimento de novas tecnologias quanto a pesquisa de manutenção necessária para enfrentar desafios como pragas, doenças e mudanças climáticas.
O documento destaca que as propostas apresentadas não têm caráter prescritivo ou operacional; ao contrário, visam subsidiar uma agenda de Estado voltada para a agricultura brasileira baseada em ciência e inovação.
Entre os seis pleitos destacados no documento está a integração entre ministérios. A proposta visa fortalecer a governança interministerial nas políticas agroambientais, promovendo maior interação entre áreas como segurança alimentar e comércio exterior.
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A Embrapa argumenta que os desafios enfrentados pela agricultura estão cada vez mais interconectados.
Ampliação dos investimentos e adaptação climática
A ampliação dos recursos destinados à ciência e inovação é outra prioridade mencionada pela Embrapa. Embora não tenha estabelecido um valor específico na agenda aos presidenciáveis, a empresa defende que o investimento contínuo é essencial para aumentar a produtividade e reduzir impactos ambientais.
As áreas prioritárias incluem biotecnologia e agricultura de precisão.
Além disso, a Embrapa propõe medidas para adaptar o setor às mudanças climáticas. Entre as prioridades estão gestão de riscos climáticos e recuperação de áreas degradadas. Tecnologias como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) são citadas como ferramentas que podem aumentar a resiliência da agropecuária brasileira.
Desafios do mercado internacional e inclusão social
A inserção do Brasil nos mercados internacionais também foi abordada. A Embrapa destacou a necessidade de desenvolver tecnologias que garantam a rastreabilidade e sustentabilidade dos produtos brasileiros frente às exigências globais. Essa estratégia é considerada vital para manter a competitividade em um mercado cada vez mais regulado.
Por outro lado, a empresa propõe expandir políticas voltadas à inclusão produtiva no meio rural, focando em agricultores familiares e povos originários. O fortalecimento da assistência técnica e acesso à tecnologia são aspectos cruciais citados no documento.
Transformação digital no agronegócio
A última prioridade apresentada pela Embrapa envolve a transformação digital no campo. A estatal defende melhorias na conectividade rural e uso de inteligência artificial para otimizar a gestão da produção agrícola. No entanto, ainda existem desafios significativos: em março de 2025, apenas 33,9% da área agricultável brasileira contava com cobertura 4G.
A proposta busca superar as barreiras atuais para que todos os imóveis rurais tenham acesso à tecnologia necessária ao desenvolvimento sustentável do agronegócio brasileiro.