Embrapa inova e busca novo modelo de financiamento para pesquisas agropecuárias

Embrapa busca novo modelo de financiamento
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está em busca de um novo modelo de financiamento que, sem abrir mão dos recursos públicos, avance na captação de recursos privados. Essa estratégia visa complementar o orçamento e garantir a continuidade das pesquisas agropecuárias, mesmo em períodos de contingenciamento fiscal.
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Nos últimos anos, as parcerias com a iniciativa privada dobraram, os royalties sobre tecnologias próprias triplicaram e a estatal já estabeleceu uma meta ambiciosa: criar um fundo patrimonial de até R$ 1 bilhão.
Dados da Embrapa evidenciam a importância das parcerias com o setor privado, com um aumento significativo na captação de recursos nos últimos três anos. Em 2025, as parcerias com a iniciativa privada totalizaram R$ 150 milhões, representando um crescimento de 80% em relação aos R$ 85 milhões de 2024.
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Esse valor é quase o dobro do que era captado no início da gestão de Massruhá, em 2023, quando a média era de cerca de R$ 65 milhões. Esse avanço ocorreu mesmo em anos de bloqueio orçamentário, quando parte dos recursos foi retida para atender às exigências fiscais.
Núcleo de Inovação Tecnológica
Para mitigar a vulnerabilidade das pesquisas em períodos de congelamento orçamentário, a Embrapa ampliou suas parcerias com o setor privado e criou o NIT (Núcleo de Inovação Tecnológica). Esse mecanismo permite a arrecadação de royalties por meio de uma fundação, sem a necessidade de passar pelo Tesouro, e os recursos não podem ser utilizados para despesas operacionais, como água ou luz.
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De acordo com Massruhá, a arrecadação via NIT cresceu de R$ 3,7 milhões em 2024 para R$ 12,6 milhões em 2025, com uma meta de R$ 30 milhões para 2026, envolvendo dez unidades da empresa.
“Não podemos depender apenas do orçamento público. Precisamos desenvolver um modelo financeiro mais sustentável para a Embrapa”, afirmou a presidente. A proposta é estabelecer um fundo patrimonial, semelhante ao modelo utilizado por universidades americanas, onde apenas os rendimentos financiam editais de pesquisa, preservando o capital principal.
Massruhá destacou que a meta é alcançar pelo menos R$ 500 milhões, podendo chegar a R$ 1 bilhão a médio prazo. A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) já manifestou interesse em investir R$ 100 milhões, condicionado à estruturação do fundo.
Limites das parcerias privadas
Massruhá ressaltou que as parcerias privadas têm limites bem definidos. “O setor privado tende a investir mais no curto prazo, visando a colocação de produtos no mercado. A pesquisa básica, de médio e longo prazo, deve ser financiada pelo Estado”, explicou.
Ela citou o exemplo da cientista Mariângela Hungria, reconhecida como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, que dedicou 40 anos ao desenvolvimento de bioinsumos, atualmente disputados globalmente. “Quem financiou quando ninguém acreditava?
Foi o Estado, foi a Embrapa”, afirmou a presidente.
Apesar do progresso na captação de recursos privados, Massruhá enfatizou a necessidade de a Embrapa continuar sendo uma empresa pública. “Isso é uma questão de soberania nacional”, declarou. “77% dos nossos agricultores são pequenos e médios.
O Estado deve garantir que eles tenham acesso à pesquisa que o mercado não financiará”, destacou. Os dados da própria empresa ilustram a relevância desse tema. O impacto econômico total das cerca de 200 tecnologias avaliadas anualmente pelo balanço social da Embrapa atingiu R$ 124 bilhões no ano passado, o que corresponde a 17% do PIB agrícola, que fechou 2025 em R$ 725 bilhões.
“Em 2025, cada R$ 1 investido nessas 200 tecnologias gerou um retorno de aproximadamente R$ 27. No ano anterior, em 2024, esse retorno era de R$ 25. O impacto econômico das nossas tecnologias representa cerca de 17% do PIB agrícola. Isso é fundamental para entendermos a importância da Embrapa no contexto agropecuário”, concluiu Massruhá.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



