Embraer identifica potencial de vendas militares na Europa e UE
Embraer identifica novas oportunidades de vendas militares na Europa, impulsionadas pelo aumento dos investimentos em defesa da União Europeia e da OTAN
A fabricante brasileira de aeronaves Embraer identificou um potencial significativo para aumentar suas vendas de equipamentos militares para a União Europeia, impulsionada pela crescente necessidade de investimento em defesa no bloco europeu. A análise foi apresentada por Serrador, vice-presidente Global de Relações Institucionais da companhia, durante o 2º Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, realizado em Brasília na última terça-feira, 23 de junho de 2026.
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Contexto Geopolítico e Aumento dos Gastos de Defesa na Europa
O cenário global de segurança tem forçado os países europeus a reavaliar suas estratégias de defesa. Essa preocupação é intensificada pelas ameaças geopolíticas, especialmente no contexto da guerra na Ucrânia, levando os líderes do continente a fortalecerem suas infraestruturas militares.
Neste cenário, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) estabeleceu metas ambiciosas. Em junho de 2025, os líderes dos 32 países membros anunciaram o compromisso de elevar os gastos com defesa para 5% de seus respectivos Produtos Internos Brutos (PIBs) nacionais até o ano de 2035.
Embraer vê nesse movimento de realocação de recursos e na busca por autonomia estratégica na Europa uma oportunidade crucial. Segundo Serrador, as discussões sobre a soberania de defesa no continente trarão vantagens consideráveis tanto para a empresa quanto para toda a base industrial de defesa do Brasil.
Estratégia de Parceria: Tecnologia e Plataformas Militares
Para atender à demanda crescente do mercado europeu, a Embraer tem focado em plataformas robustas e de uso multimissão. O KC-390 Millennium, um avião de transporte militar tático e logístico, é o principal vetor de vendas e parcerias da companhia.
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A experiência da empresa já é vasta, com fornecimento de equipamentos militares para 60 governos em diversas partes do mundo. Serrador ressaltou a importância desse alcance global, afirmando que é um número que demonstra a confiança de 60 forças armadas em uma empresa brasileira para suprir suas necessidades de segurança e defesa.
Além do KC-390, o EMB-314 Super Tucano também é um modelo militar de grande interesse para nações europeias. A companhia já opera o KC-390 em países como Holanda, Áustria, República Tcheca, Lituânia, Eslováquia, Suécia, Coreia do Sul e Uzbequistão, além de ter recentemente fechado um contrato com os Emirados Árabes Unidos.
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O vice-presidente da fabricante também abordou o futuro da colaboração, defendendo que o relacionamento com os europeus deve transcender a mera venda de equipamentos. É fundamental, segundo ele, promover a transferência de tecnologia, identificar fornecedores locais e estabelecer centros de excelência em conjunto.
Nesse sentido, o acordo Mercosul-União Europeia é visto como um catalisador para a integração mais ampla e significativa das duas bases industriais de defesa. Serrador destacou que essa integração potencializará a capacidade de inovação e produção de ambos os blocos.
Olhando para o futuro, a Embraer também planeja o caça supersônico Gripen para os países europeus. Este modelo, que conta com sistemas avançados de combate e alta capacidade operacional, é desenvolvido em colaboração com a empresa sueca Saab. O projeto está alinhado ao programa de modernização da Força Aérea Brasileira (FAB), que já conta com a transferência de tecnologia sueca e a participação direta de engenheiros brasileiros na produção.
O executivo demonstrou entusiasmo com as perspectivas, afirmando que há grandes oportunidades de exploração desse projeto a partir do Brasil.