“Em ‘Toy Story 5’, tecnologia gera conflitos familiares e reflexões sobre o tempo de tela”

A nova animação da Pixar explora a relação entre tecnologia e família, destacando a importância do equilíbrio no tempo de tela e suas implicações emocionais

Jessie, Woody e Buzz disputam atenção de Bonnie com tablets em “Toy Story 5”

Em meio às estradas de Radiator Springs, onde os icônicos personagens da série “Carros” habitam, uma chuva de meteoros representa uma nova ameaça aos carrinhos em miniatura, em uma cena digna dos filmes de desastre do renomado diretor Roland Emmerich.

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Para reverter a situação, Buzz Lightyear aparece ao volante do carro Chase, de “Patrulha Canina”. Durante uma brincadeira com seu filho pequeno, o autor se vê tomado por um sentimento inesperado de culpa sobre o tempo que passam assistindo a desenhos animados juntos.

Reflexões sobre o tempo de tela

O autor, crítico severo do tempo de tela do filho, admite permitir que ele assista a pequenos trechos de suas produções favoritas cerca de duas vezes ao dia. Com um aperto no estômago, ele se questiona se um filme voltado para crianças poderia gerar preocupações sobre os gostos do filho por essas propriedades.

Contudo, ao assistir “Toy Story 5”, percebe que a tecnologia não é vilã na narrativa. Em vez disso, as telas trazem conflitos relevantes à história.

No mais recente longa-metragem da Pixar, os brinquedos da pequena Bonnie enfrentam desafios com a chegada de Lilypad, um tablet que consome cada momento da vida da menina de oito anos. Essa nova tecnologia parece ameaçar as memórias que ela poderia criar com seus amigos imaginários.

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Um robô esquecido relembra a vaqueira Jessie, dublada por Joan Cusack, que “a era dos brinquedos acabou” e que as telas estão dominando.

A complexidade das relações familiares com a tecnologia

Os pais de Bonnie tentam ajudá-la a fazer amigos no mundo real, embora isso comece no ambiente digital. O filme retrata a dificuldade e a dor envolvidas em gerenciar a relação das crianças com a tecnologia em uma sociedade cada vez mais dependente dela.

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O alívio vem ao perceber que o longa não condena os pais que permitem o uso de dispositivos; pelo contrário, incentiva uma participação ativa na vida digital dos filhos.

Uma cena marcante levanta questões sobre como os dispositivos afetam toda a família. A professora Josephine Hunt, defensora da saúde mental infantil, ressalta que as crianças imitam o comportamento dos adultos. Portanto, é crucial que os pais discutam abertamente sobre o uso de tecnologia em casa.

Conversas adequadas à idade podem ajudar as crianças a distinguir entre uso necessário e prazeroso das telas.

A Academia Americana de Psiquiatria da Criança e do Adolescente estima que crianças entre 8 e 18 anos nos Estados Unidos passam em média 7,5 horas por dia em frente às telas. Limitar esse tempo é ideal e envolve as crianças nas discussões sobre limites pode ser chave para respeito mútuo.

Além disso, manter um diálogo aberto pode preparar as crianças para situações desafiadoras relacionadas à tecnologia, como decidir quanto tempo usar os dispositivos quando amigos estão presentes ou lidar com cyberbullying — temas abordados no filme.

Quando Bonnie participa de uma festa do pijama tão desejada, ela se decepciona ao ver suas amigas imersas em seus celulares.

Criatividade e tecnologia podem coexistir

Embora haja um final feliz na trama — onde Bonnie e seus pais encontram um equilíbrio auxiliados pelos brinquedos — o filme destaca que criatividade e tecnologia podem andar juntas. Especialistas como a Dra. Siggie Cohen enfatizam que é importante conhecer o universo digital dos filhos sem parecer controlador.

Conectar-se genuinamente aos interesses deles pode fazer diferença significativa.

Abandonar uma abordagem rígida em relação à tecnologia é fundamental. Em vez de temer ou evitar dispositivos, os pais devem considerar a qualidade das interações digitais familiares. A Academia Americana de Pediatria recomenda focar na qualidade das experiências com mídias digitais e não apenas na quantidade de tempo gasto nelas.

Dessa forma, educadores e pais podem usar a tecnologia como uma ferramenta complementar ao aprendizado e à criatividade das crianças. A mensagem da Pixar sempre foi clara: não é sobre eliminar as novas tecnologias, mas sim integrá-las ao desenvolvimento infantil de maneira construtiva.