Eleições no Peru e na Colômbia: Entenda as diferenças e semelhanças que marcam os processos

Eleições no Peru e na Colômbia revelam contrastes intrigantes. Descubra as razões por trás das diferenças nos resultados e o impacto na política da América

(Imagem de reprodução da internet).

Eleições no Peru e na Colômbia: Contrastes e Semelhanças

O Peru realizou suas eleições em 12 de abril, mas os resultados que definiram os candidatos que avançariam ao segundo turno, marcado para este domingo (7), foram divulgados apenas cinco semanas depois. Em contrapartida, a Colômbia teve suas eleições em 31 de maio, e em apenas duas horas já se sabia quem seguiria para o segundo turno, que ocorrerá em 21 de junho.

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O que explica essa diferença? Especialistas consultados pela CNN apontam que isso se deve a fatores como as divergências nos processos eleitorais de cada país e os diferentes níveis de confiança nas instituições. Além disso, eles destacam semelhanças nas disputas e a relevância que terão na configuração política da América Latina.

Diferenças na Organização Eleitoral

Um dos principais fatores que explicam o contraste entre as eleições do Peru e da Colômbia é a forma como são organizadas, conforme explicou Daniel Zovatto, diretor do Radar Latam 360. No Peru, em 12 de abril, foram eleitos o presidente, senadores, deputados e representantes do Parlamento Andino.

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Já na Colômbia, as eleições de 31 de maio foram exclusivamente presidenciais, uma vez que a votação para o Senado e a Câmara dos Representantes ocorreu em março. A realização de múltiplas eleições em um único dia tende a complicar o processo, e no caso do Peru, isso foi agravado pelo recorde de 35 candidatos à presidência, em comparação com 13 na Colômbia.

Além disso, o Peru enfrentou problemas logísticos que causaram atrasos na entrega de materiais eleitorais e na abertura de alguns centros de votação. Devido a esses contratempos, o JNE (Jurado Nacional de Eleições) decidiu estender o horário das seções eleitorais e permitir a instalação de algumas na segunda-feira.

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Esses incidentes, juntamente com impugnações de diversas atas, atrasaram a apuração dos resultados. Somente em 15 de maio a ONPE (Oficina Nacional de Processos Eleitorais) divulgou os dados, e dois dias depois, o JNE anunciou Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, como uma das candidatas que avançaram ao segundo turno, onde será definido o próximo presidente do país a partir de 28 de julho.

Experiência Institucional e Polarização

“No caso do Peru, o processo eleitoral do primeiro turno foi muito complicado, com muitas denúncias e grande judicialização. Isso não ocorreu na Colômbia, onde o processo foi bem organizado e os dados foram transmitidos rapidamente”, afirmou Zovatto.

Na Colômbia, desde a noite de 31 de maio, já se sabia que o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella e o governista Iván Cepeda avançariam ao segundo turno, conforme os resultados preliminares da Registraduría Nacional.

Lucas Martínez-Villalba, professor do Tecnológico de Monterrey, acrescentou que as instituições colombianas adquiriram experiência em processos eleitorais, enquanto as do Peru foram impactadas pela instabilidade política, que resultou em oito presidentes nos últimos dez anos. “A falta de estabilidade no Peru gera uma situação em que as eleições enfrentam desconfiança em relação aos resultados”, comentou.

Desafios e Semelhanças nas Eleições

Apesar das diferenças, as eleições no Peru e na Colômbia também apresentam semelhanças. Ambas enfrentaram denúncias de suposta fraude. No Peru, a acusação partiu de Rafael López Aliaga, candidato de direita do Renovação Popular, enquanto na Colômbia, o presidente Gustavo Petro contestou a votação de Abelardo de la Espriella.

No entanto, nenhum dos dois apresentou provas concretas para suas alegações.

Outra semelhança é a polarização extrema dos pleitos, que refletem um fenômeno de “voto contra”. No Peru, isso se manifesta na rejeição ao legado do ex-presidente Alberto Fujimori, enquanto na Colômbia, a rejeição é direcionada às propostas de Petro, que concluirá seu mandato em 7 de agosto. “Em ambos os casos, há um voto antifujimorismo e um voto antipetro, refletindo a continuidade ou não de seus projetos”, explicou Zovatto.

Implicações para a América Latina

O Peru não é o único país da região onde os resultados das eleições recentes demoraram a ser divulgados. Em 2025, Honduras levou quase um mês para que o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) declarasse Nasry Asfura como vencedor da eleição presidencial.

Martínez-Villalba observou que esses casos exemplificam a alta polarização que prevalece na América Latina, gerando desconfiança nas instituições e atrasando a divulgação dos resultados.

“A desconfiança nas instituições é um ponto que merece atenção na América Latina”, afirmou o especialista. Nesse cenário polarizado, o grupo que perder uma eleição tende a questionar os resultados, o que exige das instituições um esforço maior para apresentar resultados confiáveis. “Isso pode levar tempo, como já vimos em Honduras e provavelmente será o caso no Peru”, argumentou.

Zovatto ressaltou a importância dos resultados das eleições no Peru e na Colômbia, assim como das eleições no Brasil, que ocorrerão em outubro, pois elas podem redefinir o equilíbrio de forças na região, onde governos de direita têm ganhado espaço nos últimos anos. “Esses processos eleitorais, nos próximos meses, vão moldar o mapa político da América Latina, que está se inclinando para a direita”, concluiu o especialista.