El Niño representa maior ameaça à safra de café da Colômbia, diz presidente da federação

O fenômeno El Niño pode impactar severamente a produção cafeeira na Colômbia, com previsões de queda de 8% na safra de 2026.

Fazenda de café afetada por terremoto em Quimbaya, Colômbia

A safra de café da Colômbia não sofreu os efeitos diretos do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a parte ocidental do país, conforme afirmou German Bahamon, presidente da Federação Nacional dos Cafeicultores, em entrevista à Reuters na última quinta – feira.

Embora o tremor tenha causado danos significativos na região, Bahamon destacou que as condições climáticas severas provocadas pelo fenômeno El Niño representam uma ameaça mais preocupante para a produção.

“A produção em si não foi afetada pelo terremoto. É muito provável que a produção seja mantida”, declarou Bahamon. O chefe da federação ressaltou que as dificuldades enfrentadas pelos cafeicultores estão mais ligadas ao clima adverso deste ano.

Impactos do El Niño nas safras

O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico oriental, ocasionado pela diminuição dos ventos alísios. De acordo com analistas globais, este padrão climático está se intensificando e pode se transformar em um evento significativo no final de 2026 e início de 2027.

Isso deve elevar as temperaturas, alterar os padrões de precipitação e trazer riscos para as colheitas ao redor do mundo.

A Federação Nacional dos Cafeicultores projeta uma queda na produção deste ano em torno de 8%, totalizando 12,5 milhões de sacas de 60 quilos, em comparação com as 13,7 milhões de sacas produzidas em 2025. Essa redução é atribuída às chuvas intensas no início do ano e ao impacto do El Niño.

O terremoto ocorrido em 10 de agosto deixou um saldo trágico de 319 mortos e danificou a infraestrutura em regiões que são responsáveis por cerca de um terço da produção cafeeira do país. Levantamentos iniciais apontaram que aproximadamente 10.500 famílias produtoras de café foram afetadas pela catástrofe, sendo que cerca de 8.000 relataram danos parciais ou totais em suas moradias e instalações de processamento.

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Recuperação e exportações

A Federação Nacional dos Cafeicultores planeja liderar um esforço conjunto com o governo para auxiliar os produtores afetados, incluindo um programa voltado para a compra das cerejas de café colhidas. Nesse contexto, Bahamon também comentou sobre a normalização das exportações através do porto de Buenaventura, responsável por 60% das remessas internacionais da Colômbia. “Não houve problemas com as exportações… Elas estão ocorrendo perfeitamente”, assegurou o presidente da federação.

A Colômbia se destaca como o terceiro maior produtor mundial de café e o principal fornecedor do grão arábica lavado. O setor cafeeiro é vital para a economia local, sustentando aproximadamente 540 mil famílias e abrangendo uma área total de 840 mil hectares cultivados.

Desafios econômicos para os produtores

Além das incertezas climáticas, Bahamon alertou sobre outro desafio significativo: a valorização do peso colombiano, que alcançou seu nível mais alto desde outubro de 2018. Essa valorização tem impactado negativamente as margens de lucro dos cafeicultores.

Ele estimou que os produtores estão enfrentando perdas de até 700 mil pesos (equivalente a US 229) por carga de 125 kg devido à valorização frente ao dólar.

A situação exige atenção redobrada tanto dos produtores quanto das autoridades envolvidas no setor agrícola colombiano.