El Niño em 2026: Como a Pressão Inflacionária Pode Atingir Novos Patamares

A inflação em 2026 pode ser severamente afetada pelo El Niño e pela guerra no Oriente Médio, complicando a meta do Banco Central. Descubra os detalhes!

10/05/2026 18:46

4 min

El Niño em 2026: Como a Pressão Inflacionária Pode Atingir Novos Patamares
(Imagem de reprodução da internet).

Pressão Inflacionária e o Impacto do El Niño em 2026

Além dos efeitos da guerra, especialmente nos combustíveis, um novo fator começa a se destacar como uma fonte de pressão inflacionária maior do que o esperado para este ano e o próximo. Economistas consultados pelo Broadcast apontam que a situação favorável dos alimentos observada em 2025 pode ser substituída por dois anos consecutivos de aumento no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), complicando ainda mais a missão do Banco Central de manter a inflação na meta de 3%.

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Além do conflito entre Estados Unidos e Irã, que afetou o escoamento de parte significativa da produção, as condições climáticas adversas também podem contribuir para uma tempestade perfeita em termos de inflação.

Um dos principais fatores a ser considerado é a possibilidade de um El Niño forte em 2026. Esse fenômeno, que ocorre no meio do ano, coincidiria com a estação seca na região Sudeste, criando uma combinação que, segundo estimativas da Warren Investimentos, poderia adicionar até 2 pontos percentuais à alta do IPCA no acumulado do biênio.

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A alimentação e bebidas, que representam mais de 21,3% do IPCA, são um dos grupos mais impactados, com esse percentual aumentando para 24,3% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange famílias com renda entre um e cinco salários mínimos.

Preocupações com o Aumento dos Fertilizantes

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, destaca que os clientes do agronegócio estão bastante preocupados com o aumento dos preços dos fertilizantes. “Eles estão tentando fixar preços em níveis mais altos. Uma parte da margem de lucro diminui, enquanto outra é repassada ao consumidor.

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Assim, teremos alimentos mais caros pela frente, pois não há como evitar a alta desse insumo”, afirma.

Um estudo da Warren identifica seis itens que estão entre os mais impactados e que apresentam repasses rápidos de preços, com efeitos visíveis em até um mês. Esses itens incluem carnes, peixes industrializados, aves, leite e derivados, panificados, além de óleos e gorduras.

Outros produtos, como cereais e leguminosas, têm um repasse médio de dois a quatro meses, enquanto itens como farinha e bebidas podem demorar cinco meses ou mais para refletir os aumentos de custo.

Expectativas para a Inflação em 2027

Andréa Angelo, estrategista de inflação da plataforma de investimentos, ressalta que esses preços representam uma parte significativa do impacto total, estimado em 1,7 ponto percentual até 2027, devido ao aumento do preço do barril de petróleo tipo Brent.

Os custos de transporte, especialmente no leite, e o aumento dos fertilizantes, que devem se concentrar mais em 2026, são fatores que contribuem para essa pressão inflacionária.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, expressa preocupação com a dinâmica dos alimentos para o próximo ano. Ele prevê que a inflação de alimentação e bebidas deve desacelerar pouco entre 2026 e 2027, passando de 5,4% para cerca de 5%, mas com riscos de alta. “Este ano, a pressão sazonal sobre os alimentos será normal, mas o cenário que pode impactar 2027 é mais preocupante, especialmente com o efeito dos fertilizantes que precisamos monitorar, dependendo do andamento da guerra”, comenta Vale.

Possíveis Efeitos do El Niño

Se o El Niño se manifestar de forma intensa, como previsto por entidades como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo, e coincidir com um déficit hídrico crítico durante a fase do milho da segunda safra, de abril a junho, a inflação pode sofrer um impacto de 0,39 a 0,49 ponto percentual ao mês, segundo estimativas.

Nesse cenário, a inflação acumulada em 12 meses para alimentos pode atingir 10% ainda este ano.

Embora essa não seja a previsão mais provável, a possibilidade não pode ser ignorada. O cenário-base já apresenta desafios para o Banco Central, adicionando mais um elemento de risco a um IPCA que já está sob pressão. Luis Otávio de Souza Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, observa que anos com a formação do El Niño registraram uma inflação média de alimentos de 11,6%, enquanto sem o fenômeno, a média foi de 6,1%. “Culturas de safra curta, como legumes e frutas, podem ser afetadas, resultando em uma inflação maior de alimentos no segundo semestre”, conclui Leal.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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