Outono Chega com Incertezas Climáticas e Monitoramento do El Niño
O outono de 2026 começou oficialmente nesta sexta-feira (20), trazendo consigo a transição de estação e uma série de questionamentos sobre o clima do continente. Após um verão intenso, os próximos meses despertam o interesse de especialistas que acompanham de perto os sinais de possível formação de um novo fenômeno climático, após um ano de neutralidade climática.
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Em entrevista ao programa “Clima em Foco”, da “Rádio Atlântica”, o cientista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), detalhou que o outono é, por natureza, uma fase de transição.
As temperaturas tendem a oscilar, com manhãs mais frescas e resquícios do calor do verão, especialmente nas primeiras semanas. “É possível que vejamos dias com temperaturas elevadas, principalmente no início da estação”, observou Marengo.
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Possibilidade de Ondas de Calor e Impactos do El Niño
Segundo o especialista, a dinâmica do tempo pode levar a ondas de calor, como já ocorreu em março em diversas regiões do país. Marengo ressaltou que o monitoramento do Oceano Pacífico é crucial, pois o aquecimento anormal das águas pode desencadear o fenômeno climático do El Niño.
“O El Niño é um fenômeno de grande escala, com impactos globais”, explicou Marengo. “O Pacífico ocupa uma área significativa do planeta, e o que acontece lá influencia o clima em todo o mundo.” Ele enfatizou que o fenômeno ainda está em fase de desenvolvimento e que a intensidade do El Niño não pode ser determinada com precisão neste momento.
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Previsões e Tendências Climáticas
Marengo rejeitou previsões alarmistas sobre o El Niño, alertando que é cedo para determinar a magnitude do fenômeno. Ele destacou que, se o El Niño se desenvolver com a mesma força do evento de 2025, 2026 e 2027 poderiam ser os anos mais quentes da história.
Essa situação, segundo ele, traria consequências como extremos climáticos e desastres naturais.
“É importante lembrar que o clima é complexo e multifacetado”, concluiu Marengo. “O monitoramento constante e a análise de dados são fundamentais para entender as tendências e tomar decisões informadas.”
