E-mail do Pentágono expõe retaliações contra aliados da Otan; Espanha na mira!

E-mail do Pentágono Revela Opções de Retaliação contra Aliados da Otan
Um e-mail interno do Pentágono, ao qual a agência Reuters teve acesso exclusivo, detalha as possíveis ações que os Estados Unidos podem tomar contra aliados da Otan que, segundo a administração, não apoiaram as operações americanas na guerra contra o Irã.
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Entre as medidas sugeridas está a suspensão da Espanha da aliança militar, motivada pela oposição do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, à guerra e ao uso do espaço aéreo espanhol. Além disso, a lista menciona a reavaliação da posição dos EUA sobre as Ilhas Malvinas, conforme informado por um funcionário americano à Reuters.
Desde 1982, os EUA têm evitado tomar partido em disputas de soberania, reconhecendo que as ilhas são administradas pelo Reino Unido, mas também aceitando a reivindicação da Argentina. O e-mail expressa frustração com a aparente relutância de alguns aliados em conceder aos Estados Unidos direitos de acesso e sobrevoo para a guerra contra o Irã, de acordo com o funcionário que pediu anonimato para discutir o conteúdo do e-mail.
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O documento afirma que a ABO é “apenas a base absoluta para a Otan”, e as opções estão sendo debatidas em altos escalões do Pentágono.
Críticas de Trump aos Aliados Europeus
O presidente Donald Trump criticou severamente os aliados da Otan por não enviarem suas marinhas para ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, que foi fechado à navegação internacional após o início da guerra aérea em 28 de fevereiro. Em uma entrevista à Reuters em 1º de abril, Trump questionou: “Você não faria o mesmo se estivesse no meu lugar?”, ao ser indagado sobre a possibilidade de os EUA se retirarem da Otan.
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No entanto, o e-mail não sugere essa saída, nem propõe o fechamento de bases americanas na Europa. O funcionário não confirmou se as opções incluíam uma redução das forças americanas na região.
Em resposta a questionamentos sobre o e-mail, o secretário de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, afirmou que, apesar das contribuições dos EUA aos aliados da Otan, eles não estavam presentes para apoiar os Estados Unidos. Wilson destacou que o Departamento de Guerra garantirá que o presidente tenha opções viáveis para assegurar que os aliados não sejam apenas “tigres de papel”.
Implicações para a Otan e a Europa
A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã levantou questões sérias sobre o futuro da Otan, que existe há 76 anos, e gerou preocupações sobre a disposição dos EUA em ajudar aliados europeus em caso de ataque. O Reino Unido, a França e outros países afirmam que a participação dos EUA equivaleria a entrar no conflito, mas estão dispostos a ajudar a manter o Estreito aberto após um cessar-fogo duradouro.
Autoridades do governo Trump expressaram descontentamento com a posição da Espanha, onde a liderança socialista se opôs ao uso de bases ou espaço aéreo para ataques ao Irã.
Os Estados Unidos mantêm duas bases militares importantes na Espanha: a Estação Naval de Rota e a Base Aérea de Morón. As opções políticas mencionadas no e-mail têm como objetivo enviar um sinal claro aos aliados da Otan, buscando “diminuir a sensação de direito por parte dos europeus”.
A suspensão da Espanha da aliança, embora tenha um impacto simbólico significativo, teria efeitos limitados nas operações militares dos EUA, conforme argumentado no e-mail.
Reações e Consequências
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao ser questionado sobre o relatório, afirmou que não se baseiam em e-mails, mas em documentos oficiais e posições governamentais. O memorando também sugere reavaliar o apoio diplomático dos EUA a antigas “possessões imperiais” europeias, como as Ilhas Malvinas, que são administradas pelo Reino Unido, mas reivindicadas pela Argentina.
O presidente argentino, Javier Milei, aliado de Trump, também é mencionado no contexto.
O Reino Unido e a Argentina travaram uma breve guerra em 1982 pelas ilhas, resultando na morte de cerca de 650 soldados argentinos e 255 britânicos. Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou que a soberania das ilhas pertence ao Reino Unido e que o direito à autodeterminação é fundamental.
Trump criticou Starmer por sua hesitação em se unir à guerra contra o Irã, fazendo comparações desfavoráveis com Winston Churchill.
Inicialmente, o Reino Unido não atendeu a um pedido dos EUA para permitir ataques ao Irã a partir de bases britânicas, mas posteriormente concordou com missões defensivas. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, comentou que a guerra contra o Irã trouxe à tona questões sobre a solidez da aliança, enfatizando que uma aliança forte não pode existir se alguns países não estiverem dispostos a apoiar seus aliados em momentos críticos.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



