Donald Trump considera participação do público em empresas de inteligência artificial nos EUA
A proposta de Donald Trump visa garantir que os cidadãos americanos tenham acesso aos lucros das empresas de inteligência artificial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que está considerando alternativas para permitir que o público tenha participação nas principais empresas de inteligência artificial (IA). Essa iniciativa surge em resposta a preocupações sobre a possibilidade de os cidadãos americanos não se beneficiarem dos lucros esperados nesse setor crescente.
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Em uma proposta divulgada neste mês, Trump sugeriu que as companhias de IA “retribuíssem” ao povo, e diversas vozes no cenário político e empresarial estão discutindo diferentes maneiras de implementar essa ideia.
Propostas em discussão
Dentre as sugestões apresentadas, destaca-se a possibilidade de designar representantes do governo americano para os conselhos administrativos das empresas de IA e a troca de financiamento federal por participação acionária. Um acordo deste tipo poderia transformar as receitas federais.
Recentemente, a OpenAI e a Anthropic protocolaram pedidos confidenciais para realizar ofertas públicas iniciais (IPOs) nos EUA, com a OpenAI almejando uma avaliação que pode chegar até US$ 1 trilhão, conforme reportou a Reuters. Ambas as empresas não comentaram sobre a participação do governo no setor.
O senador Bernie Sanders, representante independente de Vermont alinhado aos democratas, sugeriu utilizar o sistema tributário como ferramenta para capturar uma parcela da riqueza gerada pela IA. Ele propôs que grandes corporações oferecessem ao governo uma participação de 50% em suas propriedades e representação em seus conselhos. “Os americanos devem ter o poder de impedir ações prejudiciais e usufruir dos lucros financeiros provenientes da IA”, afirmou Sanders sobre sua proposta.
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Modelos alternativos e implicações
Outra abordagem sugerida lembra um acordo feito com a Intel, onde o governo adquiriu 10% da empresa em troca de bilhões em financiamento destinado à ampliação da produção nacional. O setor tecnológico frequentemente busca grandes investimentos para viabilizar sua infraestrutura de IA.
Assim, um investimento governamental poderia ser parte desse financiamento. A Alphabet, controladora do Google DeepMind, anunciou recentemente um aumento na oferta de ações para US$ 84,75 bilhões.
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No entanto, analistas liberais expressam preocupações sobre possíveis distorções nos incentivos caso o governo siga o exemplo do acordo com a Intel. “Isso colocaria o governo numa posição onde ele não se concentraria mais em garantir que os EUA possuam a capacidade necessária para defender o interesse público, mas sim em assegurar que seu investimento seja rentável”, alertou Neil Chilson, republicano que atua na área de políticas de IA no Abundance Institute.
A OpenAI também discutiu com o governo a possibilidade de garantias federais para empréstimos destinados à construção de fábricas de chips; entretanto, não buscou acordos semelhantes para centros de dados, conforme revelou seu CEO Sam Altman em novembro.
Além disso, em abril passado, a OpenAI apresentou a ideia de um “fundo de riqueza pública” voltado para investimentos em empresas de IA com o intuito de distribuir os lucros entre os cidadãos.
A Anthropic manifestou interesse em explorar um “dividendo digital”, que consistiria em pagamentos aos americanos financiados por impostos sobre o setor de IA. Essa proposta possui semelhanças com o Fundo Permanente do Alasca, uma entidade estatal criada para preservar o valor dos recursos naturais do estado através da distribuição anual de dividendos aos residentes.
Defensores dessa ideia argumentam que um modelo similar pode ser aplicado à IA, dado que esta depende fortemente de dados gerados publicamente.
“A infraestrutura pública nos Estados Unidos pertence ao cidadão”, afirmou Joseph Blasi, professor na Universidade Rutgers. “Não é algo que indivíduos extremamente ricos possam simplesmente monopolizar.”