Donald Trump aumenta tensões com o Irã e especialistas apontam lacunas nas negociações

A análise de Hussein Kalout revela as complexidades nas negociações entre Donald Trump e o Irã. Quais são os pontos inegociáveis que podem dificultar um acordo?

(Imagem de reprodução da internet).

A estratégia de Donald Trump nas negociações com o Irã

A abordagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas tratativas com o Irã segue um padrão claro: aumentar as tensões para, em seguida, recuar e apresentar a possibilidade de um acordo como resultado. Essa análise é de Hussein Kalout, pesquisador de Harvard e professor de Relações Internacionais da USP, em entrevista ao WW.

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Kalout observa que, embora Trump tenha indicado que os principais pontos de um entendimento já estariam definidos, o conteúdo real do memorando de entendimento em discussão ainda é desconhecido. “Ninguém sabe o teor e o conteúdo e os contornos deste memorando de entendimento”, destacou o especialista.

Etapas do memorando

Conforme Kalout, mediadores do Paquistão e do Catar que se encontraram com representantes iranianos sugerem que o memorando abrange duas etapas distintas. A primeira etapa diz respeito à reabertura de negociações. Somente após a resolução desse ponto é que as partes avançariam para a segunda etapa, que se concentra nas discussões sobre o acordo nuclear.

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O especialista enfatizou que existem questões fundamentais que o Irã se recusa a negociar.

O primeiro ponto é o abandono do programa de mísseis balísticos, que Teerã considera um programa de mísseis convencionais e, portanto, um elemento essencial de sua defesa. “Os iranianos não vão abrir mão disso”, ressaltou Kalout. O segundo ponto envolve o financiamento e o armamento de grupos e movimentos armados na região, que o Irã vê como uma extensão de seu poderio bélico.

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O terceiro ponto inegociável diz respeito às contrapartidas para o acordo nuclear. Na perspectiva iraniana, a interrupção do enriquecimento de urânio a 60% só seria viável com o desbloqueio, por parte do governo dos EUA, de parte dos 100 bilhões de dólares retidos, que pertencem ao Irã.