
O dólar voltou a ser cotado a R$ 5,10 nesta quarta-feira (8), o que representa a menor taxa em quase dois anos. Esse movimento foi impulsionado pelo alívio global após o acordo de cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã. A situação reacendeu discussões sobre a possibilidade da moeda americana voltar a ser negociada abaixo de R$ 5, algo que não ocorre desde março de 2024.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Especialistas consultados pelo CNN Money acreditam que a queda do dólar é viável, embora o cenário ainda apresente incertezas e o câmbio deva enfrentar volatilidade. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que a expectativa de uma desvalorização da moeda americana para patamares mais baixos é plausível, especialmente considerando o histórico recente da divisa.
A tendência de queda do dólar se manteve nos primeiros meses de 2026. Segundo Shahini, a valorização da moeda em nível global não atingiu um nível de overshooting, que seria um movimento exagerado e desordenado. “Apesar dos riscos associados ao conflito, o real se comportou de maneira saudável, alcançando picos próximos a R$ 5,30 em momentos críticos, mas se consolidando entre R$ 5,20 e R$ 5,25”, explica.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ele acrescenta que os fundamentos que sustentaram a moeda brasileira antes do início do conflito no Oriente Médio ainda estão presentes, como a realocação de capital para mercados emergentes. Contudo, um novo fator foi introduzido: o preço do petróleo, que, apesar da recente queda, continua a influenciar o cenário.
A possibilidade do dólar voltar a ser negociado abaixo de R$ 5 depende de um alinhamento de condições favoráveis tanto no cenário doméstico quanto no global, o que traz novos desafios para o câmbio. Patrícia Palomo, economista da Arau Consultoria, vê a queda da moeda como uma possibilidade, embora não seja o cenário mais provável no momento.
Para que isso ocorra, seria necessário uma redução estrutural do risco geopolítico, que eliminasse o prêmio de risco associado ao petróleo e ao dólar.
No contexto interno, o Brasil precisaria apresentar um vetor de confiança mais sólido, com uma combinação de fatores que incluam a redução de incertezas institucionais e a manutenção de um diferencial de juros atrativo para os fluxos de capital.
Marco Harbich, CIO da Gordon Capital, concorda com Palomo e acredita que a cotação do dólar próxima de R$ 5 é uma situação temporária, especialmente considerando as incertezas que se aproximam. “Estamos em um ano eleitoral, e, no curto prazo, isso [dólar em R$ 5] pode acontecer.
Mas se houver qualquer declaração que indique a violação do acordo, o dólar pode voltar a subir”, avalia Harbich.
O economista Danilo Coelho ressalta que o cenário fiscal e as eleições presidenciais ainda representam obstáculos para uma queda significativa do dólar. “Ainda enfrentamos muitos desafios fiscais e a volatilidade relacionada ao processo eleitoral deve ser considerada no preço da moeda. É improvável que tenhamos uma dinâmica de dólar abaixo de R$ 5 no futuro próximo”, conclui.
Shahini, da Nomad, observa que o mercado ainda não parece estar precificando adequadamente o cenário eleitoral, o que dificulta a avaliação do quanto do risco político já está incorporado nos preços. “Acredito que essa questão ganhará mais relevância a partir do segundo semestre, quando o chamado ‘trade eleitoral’ deve se tornar mais evidente nos preços”, finaliza.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!
Autor(a):
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.