Dívidas americanas ultrapassam US40 trilhões e preocupam mercado

Dívidas americanas ultrapassam US40 trilhões e geram alerta no mercado global diante das projeções Discover 2026.

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A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca simbólica e preocupante dos US 40 trilhões nesta quarta – feira, dia 19.

De acordo com dados divulgados pelo Departamento do Tesouro americano na mesma data, o endividamento total atingiu os 40,047 trilhões de dólares — valor que representa cerca de R 207 trilhões em reais —, impulsionado tanto pelos gastos vinculados à saúde quanto aos pagamentos da seguridade social.

O aumento também se deve ao crescimento nos juros pagos anualmente pelo país.

O recorde histórico contrasta projeções

Esse novo patamar financeiro diverge significativamente das expectativas feitas anteriormente por órgãos governamentais dos EUA. Anteriormente, o Escritório de Orçamento do Congresso estimava um endividamento total menor: apenas 39,4 trilhões até a conclusão do ano fiscal referente a 2026 no final de setembro deste ano.

Os custos associados à dívida dispararam recentemente em Washington DC., forçando ajustes na política financeira e levantando preocupações sobre a sustentabilidade orçamental americana diante da alta taxa nos títulos soberanos.

Pressão geopolítica eleva juros americanos

A pressão crescente por parte dos investidores globalmente afetou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Na terça – feira (18), esses índices subiram até o nível mais alto registrado desde 2007, um reflexo direto de dois fatores: as tensões geradas pela guerra no Oriente Médio e uma profunda apreensão com o déficit fiscal federal.

Esse cenário obriga diretamente o governo a refinanciar sua dívida em taxas elevadíssimas — níveis não vistos antes da crise financeira mundial que ocorreu na década passada, após 2008. Em resposta à volatilidade observada nas primeiras horas desta quarta – feira, foi necessário que o Departamento do Tesouro interviesse para tentar estabilizar os títulos de longo prazo, fazendo recuarem momentaneamente esses rendimentos altos.

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Especialistas alertam sobre trajetória insustentável. O sistema financeiro dos Estados Unidos opera com um déficit constante e precisa tomar dinheiro emprestado apenas para cobrir essa diferença orçamentária. Contudo, analistas apontam riscos estruturais profundos no modelo econômico americano em relação aos gastos públicos.

A especialista Jessica Riedl, da Brookings Institution — instituição renomada por estudos sobre orçamento e impostos —, afirmou que é fato conhecido há muito tempo: o governo segue uma “trajetória bastante insustentável” quando se trata de déficits.

“Nos últimos anos”, acrescentou ainda a pesquisadora do think tank, pontuando dados alarmantes, pois os EUA passaram a registrar superávits (déficit) aproximados de 2 trilhões mesmo durante períodos considerados pacíficos ou prósperos.